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A ECOEPIDEMIOLOGIA DA FEBRE MACULOSA EM SÃO BERNARDO DO CAMPO: UMA ANÁLISE SITUACIONAL.


Esse texto foi feito pela PM SBCampo com uma análise interessante da situação da Febre maculosa no Município. Apenas republicamos o que obtivemos  no site da PMSBC com o intuito de esclarecer mais pessoas em virtude de óbito de uma pessoa por febre maculosa no municipio no mes de março deste ano, porém somente divulgado agora em julho de 2026. Recomendamos a leitura.


Início da Experiência: 04/2024   Ano: 2025

Tema: 09 - Vigilância em Saúde (VS)  Município:  São Bernardo do Campo

Habitantes: de 500.001 até 1 milhão

Modalidade 1 - EXPERIÊNCIAS MUNICIPAIS

Instituição:

PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO BERNARDO

Apresentação/Introdução:


A Febre Maculosa (FM) é uma doença infecciosa transmitida por carrapatos infectados com bactérias do gênero Rickettsia, descrita no Brasil pela primeira vez em 1929. Endêmica na Região Sudeste, é transmitida por carrapatos do gênero Amblyomma. Nas últimas décadas, o aumento de casos e a letalidade elevada destacaram a FM como uma importante preocupação de saúde pública. O A. aureolatum, transmissor da FM na Região Metropolitana de São Paulo, é encontrado em regiões de maior altitude, acima de 700 metros. A FM pode ser fatal se não tratada precocemente, com uma taxa de letalidade de até 80%. O tratamento imediato com antibióticos como doxiciclina é crucial para reduzir óbitos. A presença de cães domésticos em áreas de Mata Atlântica facilita a proximidade entre humanos e carrapatos adultos.A fragmentação florestal, causada por ações humanas, aumenta o contato entre vetores e hospedeiros, favorecendo a propagação da doença. A redução da biodiversidade, favorece a proliferação de espécies competentes para transmissão de patógenos. O controle químico não é eficaz em áreas de mata, sendo necessária educação em saúde e capacitação profissional para vigilância e prevenção.A análise ecoepidemiológica pode ajudar a entender a dinâmica da doença, integrando fatores ecológicos e comportamentais. A identificação de áreas de risco e o treinamento de profissionais de saúde são essenciais para um diagnóstico precoce e para estratégias de prevenção.

Objetivos:

Este estudo visa realizar uma análise situacional da Febre Maculosa no município de São Bernardo do Campo-SP, com foco ecoepidemiológico. O objetivo é traçar um perfil da ecologia e da paisagem associadas à ocorrência da doença, identificando áreas de risco relativas aos fatores que favorecem a infecção pelo patógeno. Além disso, busca-se refletir sobre as estratégias implementadas com base nas contribuições ecoepidemiológicas delineadas e recomendar ações fundamentadas nos dados obtidos.

Metodologia:

Este é um estudo observacional, descritivo, ecológico e espacial sobre a Febre Maculosa em São Bernardo do Campo-SP, foca nos casos autóctones entre 2001 e 2023. O objetivo foi traçar o perfil epidemiológico, identificando locais, períodos de ocorrência e características sociodemográficas dos afetados. A distribuição temporal e espacial dos casos foi realizada por bairro, detalhando ano, mês e perfil dos pacientes. Análises espaciais foram aplicadas para identificar áreas de risco, localizando os casos e áreas relevantes. O perfil paisagístico foi baseado em levantamento bibliográfico, considerando geografia, fauna (cães e carrapatos) e áreas degradadas. Usaram-se imagens de satélite do Google Earth Pro e QGIS para calcular métricas. A borda de mata com ocupação humana e a fragmentação florestal foram parâmetros centrais. A taxa de letalidade foi calculada dividindo óbitos pelo número de casos confirmados. Foram estudadas 10 localidades com fragmentos de Mata Atlântica e vegetação variada, impactada pela degradação ambiental. A fragmentação florestal em áreas de casos confirmados de FM, foi o parâmetro central que norteou este trabalho, dado que o processo de fragmentação depende de uma série de fatores para sua ocorrência.

Resultados:

Foram mapeadas 10 áreas: as vermelhas indicam transmissão, com casos confirmados de FM nos últimos 10 anos; as azuis representam risco, com o último caso há mais de 10 anos; e as amarelas são áreas silenciosas, sem registros de casos humanos, mas com perfil paisagístico sugerindo risco. Dos 40 casos analisados, 25 ocorreram na área 1, Grande Alvarenga (62,5%), principal área de transmissão, concentra 46,9% dos carrapatos A. aureolatum encontrados. A área 2 (risco), Orquídeas-Alvarenga, limita-se com a área 1, sem conexão entre as matas, apenas um A. aureolatum identificado. A área 3 (transmissão), Cooperativa/Alves Dias, apresentou a maior taxa de letalidade (80%). Na área 4 (transmissão), Montanhão, 3 dos 4 casos confirmados resultaram em óbito. A área 5 (silenciosa), Riacho Grande (Jd. Jussara), sem informações sobre o vetor. Na área 6 (silenciosa), Pós Balsa (Santa Cruz), a fragmentação da mata devido à urbanização foi observada, com sete espécimes de A. aureolatum encontrados. A área 7 (silenciosa), Dos Finco/Tupã, apresenta adensamento populacional na mata, sem informações sobre o vetor. Nas áreas 8, 9 e 10 (silenciosas) — Riacho Grande (Dos Finco/Tupã), Jd. Represa e Parque Los Angeles — há grande adensamento populacional, mas sem dados sobre o vetor.O tempo médio entre sintomas e internação foram de 5 dias, com confirmação principalmente por exames laboratoriais. Em 62,5% dos casos, os infectados tinham até 20 anos, 55% eram homens e 55% relataram parasitismo.

Conclusões:

A partir da análise situacional da Febre Maculosa em São Bernardo do Campo, por meio de estudos paisagísticos e epidemiológicos, foram identificadas as áreas de maior importância ecoepidemiológica e o perfil socioeconômico da população mais exposta. Isso visa impulsionar estratégias de controle de zoonoses, incluindo a vigilância acarológica e sorológica de animais domésticos, de vida livre ou semidomiciliados em áreas de risco para a FM, mantendo as informações atualizadas para profissionais de saúde e população. Ações educativas são fundamentais para envolver a população no reconhecimento do ambiente e na detecção de parasitismo por carrapatos, além de garantir os encaminhamentos adequados. Para os profissionais de saúde, a educação permanente reforçaria a importância da ecoepidemiologia, para a suspeição imediata da doença e o tratamento adequado, evitando óbitos. É necessário conduzir um processo educativo planejado, com avaliação e ajustes nas estratégias quando necessário, promovendo a articulação entre profissionais de saúde, gestores, parceiros e a população. Esse processo interativo é essencial para a vigilância da Febre Maculosa e para a promoção da saúde em São Bernardo do Campo/SP.

Palavras-chave:

Educação

Autores

MANUEL PEREIRA MARTINS, MARJORI FABRICIA CERCHIARI, ROBERTA EMANOELA MOURA ALVES MARIANO, MARCO AURÉLIO FERREIRA

https://www.cosemssp.org.br/noticias/acervo-digital/a-ecoepidemiologia-da-febre-maculosa-em-sao-bernardo-do-campo-uma-analise-situacional/

Insetos podem sentir dor? O que diz a Ciência sobre isso?

 Pesquisadores investigaram se os insetos podem sentir algo parecido com dor, analisando o comportamento de grilos-domésticos (Acheta domesticus). A ideia surgiu porque estudos recentes mostram que insetos não apenas reagem por reflexo, mas podem apresentar comportamentos mais complexos diante de algo prejudicial.



No experimento, os cientistas aplicaram três tipos de estímulo em uma das antenas dos grilos: calor doloroso, toque leve ou nenhum contato. Depois, observaram como os insetos reagiam em ambientes com diferentes níveis de estresse.

Os resultados mostraram que os grilos limpavam muito mais a antena que recebeu o calor nocivo, e faziam isso por mais tempo do que nos outros casos. Esse comportamento continuava forte nos primeiros momentos após o estímulo, sugerindo uma resposta direcionada de autoproteção, e não apenas um reflexo automático. Nem o sexo dos grilos nem o ambiente alteraram esse padrão.

Os pesquisadores concluem que isso é uma forte evidência de que insetos podem ter estados semelhantes à dor. O estudo reforça a discussão sobre o bem-estar dos insetos e sobre até que ponto diferentes animais podem ter experiências subjetivas.


Fonte: informações obtidas do texto original :

https://royalsocietypublishing.org/rspb/article-abstract/293/2070/20260609/481623/Flexible-self-protection-as-evidence-of-pain-like

Insetos em declínio, pesquisa mostra

Um estudo inédito liderado por pesquisadores da Unicamp, UFSCar e UFRGS revela um preocupante declínio nas populações de insetos terrestres no Brasil, em linha com tendências globais. A análise, baseada em 45 estudos e dados fornecidos por 96 especialistas, aponta que os insetos terrestres — como abelhas, borboletas e escaravelhos — têm sofrido mais quedas populacionais e de diversidade do que aumentos ou estabilidade. Já os insetos aquáticos mostram maior equilíbrio.




As principais causas incluem desmatamento, uso excessivo de agrotóxicos, poluição e mudanças climáticas. O estudo ressalta o papel essencial dos insetos nos ecossistemas, como na polinização, decomposição, controle biológico e alimentação de outros animais. O trabalho, que reuniu diversos pesquisadores e fontes de dados além de publicações científicas, teve grande repercussão internacional e fornece o primeiro panorama abrangente sobre insetos em biomas como a Mata Atlântica, Cerrado e Amazônia.

O biólogo Thomas Lewinsohn destaca que os insetos são indicadores sensíveis das mudanças ambientais e que as extinções atuais ocorrem em ritmo alarmante. Especialistas internacionais reconhecem o valor e a complexidade do estudo, que preenche uma importante lacuna no conhecimento sobre biodiversidade tropical.


Fonte:https://revistapesquisa.fapesp.br/insetos-terrestres-em-declinio/

A ECOEPIDEMIOLOGIA DA FEBRE MACULOSA EM SÃO BERNARDO DO CAMPO: UMA ANÁLISE SITUACIONAL.

Esse texto foi feito pela PM SBCampo com uma análise interessante da situação da Febre maculosa no Município. Apenas republicamos o que obti...