Alimentar pombos (Columba livia) em praças públicas pode ser punido com multa?

Há anos que a população em vários estados brasileiros tem grupos ou bandos de pombos insistentes, que percorrem os bairros onde há maior abundância de alimento disponível na forma de lixo orgânico. Muitas edificações mais antigas com oferecem espaço para os pombos encontrarem abrigo e ali depositarem os seus ninhos. 

Os pombos são responsáveis pela transmissão mecânica de fungos que provocam infecções em humanos, prioritariamente em pessoas em estado de vulnerabilidade de saùde.


No entanto, há poucas intervenções do setor publico e legislativo para evitar a presença dessas aves em abundância nas cidades.  Não há como exterminá-los totalmente, pois eles podem migrar de outras áreas e preencher o vazio deixado pelos pombos eliminados. Há muita confusão referente a poder exterminá-los ou não, a legislação não é muito clara a respeito. E também, por razões biológicas e ecológicas seria uma luta sem resultados.

Os setores mais visados são a área portuária, onde hás imensos carregamentos de grãos, e onde as estruturas são totalmente abertas, sem nenhuma proteção que impeça a chegada dessas aves.


Nas cidades, o problema é recorrente, com concentração dos pombos nas áreas de maior concentração de populares e ambulantes de alimentos, bem como próximo de padarias, atacadistas e supermercados.

Há várias soluções não definitivas, mas que amenizam muito o contato com esses animais e a maioria delas de caracteristica mecânica, que impeça que os pombos tenham acesso ao alimento ou as suas sobras. 

O investimento em telas traz bons resultados, assim como em espículas, agulhas pontiagudas que ferem o animal e impedem que assentem nesses locais. Junto com essas providências deve ser feito uma remoção de ninhos e limpeza profunda das superfícies atingidas por dejetos desses animais.

                            

A legislação também oferece proteção à Saúde Pública  e o município de S. Paulo já possui a lei nº 16.914, de 06 de junho de 2018, que estabelece a proibição do oferecimento de alimentos a esses animais, que, diante da pouca oferta, devem naturalmente procurar outros locais para buscar o alimento.

Isso, no entanto, demanda conscientização da população que associa os pombos a figuras místicas, esquecendo que a figura é espiritual e o pombo é material e nada tem a ver com religiosidade das pessoas. Pelo contrário, pode transformar-se em muito dissabor para aqueles que adquirem as doenças.

Lucia Schuller - bióloga e Mestre em Saúde Pública


Abaixo legislação da cidade de S. Paulo.

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LEI Nº 16.914, DE 6 DE JUNHO DE 2018

(Projeto de Lei nº 484/15, do Vereador Natalini - PV)

Dispõe sobre a proibição de se alimentar pombos urbanos (Columba livia - variedade doméstica) no âmbito do Município de São Paulo e dá outras providências.

BRUNO COVAS, Prefeito do Município de São Paulo, no uso das atribuições que lhe são conferidas por lei, faz saber que a Câmara Municipal, em sessão de 3 de maio de 2018, decretou e eu promulgo a seguinte lei:

Art. 1º É proibido alimentar e/ou manter abrigo para alojamento de pombos urbanos (Columba livia - variedade doméstica) no Município de São Paulo.

Art. 2º É proibida a comercialização de alimentos para pombos nas vias e logradouros públicos do Município.

Art. 3º Os proprietários de imóveis com infestação de pombos deverão providenciar redes e outros obstáculos visando dificultar o seu pouso e nidificação.

Art. 4º O descumprimento do disposto na presente lei sujeitará o infrator às seguintes penalidades:

I - advertência;

II - multa no valor de R$ 200,00, aplicada em dobro após cada nova reincidência.

Parágrafo único. A multa de que trata o inciso III deste artigo será atualizada anualmente pela variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo - IPCA, apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, acumulada no exercício anterior, sendo que, no caso de extinção deste índice, será adotado outro criado pela legislação federal e que reflita a perda do poder aquisitivo da moeda.

Art. 5º O Poder Executivo regulamentará a presente lei, no que couber, no prazo máximo de 90 (noventa) dias, contados da data de sua publicação.

Art. 6º Esta lei entra em vigor na data da sua publicação.

PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO, aos 6 de junho de 2018, 465º da fundação de São Paulo.

BRUNO COVAS, PREFEITO

RUBENS NAMAN RIZEK JUNIOR, Secretário Municipal de Justiça

EDUARDO TUMA, Secretário-Chefe da Casa Civil

Publicada na Casa Civil, em 6 de junho de 2018.

Estudo investigou se insetos urbanos podem transmitir o virus covid !

 Este texto relata um estudo científico que investigou se moscas domésticas e baratas podem transmitir mecanicamente o vírus SARS-CoV-2 (causador da COVID-19).

Resumo

Pesquisadores da Texas A&M University coletaram moscas e baratas em residências do Texas onde pessoas ou animais de estimação haviam sido infectados recentemente pela COVID-19. Eles capturaram 1.345 insetos e analisaram as amostras usando testes moleculares (RT-qPCR) para detectar material genético do vírus.

Resultado: nenhum dos insetos apresentou RNA do SARS-CoV-2.




O que isso significa?

Os resultados sugerem que:

  • Moscas domésticas e baratas não parecem desempenhar papel significativo na transmissão da COVID-19 em condições reais.

  • Não há evidências de que esses insetos transportem o vírus de uma superfície para outra de forma relevante.

  • Os insetos também não se mostraram úteis para vigilância da COVID-19 por meio da técnica chamada xenosurveillance (monitoramento de patógenos usando insetos).

Transmissão biológica x mecânica

O artigo explica duas formas de transmissão por insetos:

  1. Transmissão biológica: o patógeno entra no inseto, se multiplica e depois é transmitido a outro hospedeiro.

    • Exemplo: mosquitos transmitindo Dengue ou Malaria.

  2. Transmissão mecânica: o patógeno apenas "pega carona" na superfície do inseto, sem se multiplicar.

    • Exemplo: moscas carregando bactérias como Salmonella ou Shigella.

Relação com estudos anteriores

Um estudo de laboratório anterior havia encontrado RNA viral em moscas após exposição controlada ao vírus. Porém, isso não demonstrou transmissão real da doença. O novo estudo avaliou situações do mundo real e não encontrou evidências de contaminação dos insetos.

Conclusão

O conjunto das evidências atuais indica que a COVID-19 é transmitida principalmente por vias respiratórias (aerossóis e gotículas), e não por insetos. Moscas, baratas, mosquitos e outros artrópodes não parecem ter um papel relevante na disseminação do SARS-CoV-2.

Escorpiões lideraram os acidentes com peçonhentos em 2025

 

Escorpiões causaram 65% dos acidentes com animais peçonhentos no Brasil em 2025

Número de mortes dobrou em relação ao ano anterior; falta de saneamento básico e demora no atendimento às vítimas aumenta chances de picada e risco de morte


Publicado em: 08/04/2026

Reportagem: Natasha Pinelli
Fotos: Antônio da Costa e José Felipe Batista/Comunicação Butantan

O Brasil registrou 225.695 casos de picadas por escorpiões em 2025. Segundo dados do Painel Epidemiológico do Ministério da Saúde*, o aracnídeo foi responsável por mais de 65% dos acidentes com animais peçonhentos (serpentes, aranhas, lagartas, escorpiões e abelhas) registrados no período. Embora a maioria das ocorrências sejam leves (89%), as crianças são a população mais vulnerável: dos 265 óbitos registrados em decorrência do envenenamento – o dobro do ano anterior –, mais de 20% envolveram menores de 10 anos. 

Os números também revelam que as pessoas que se autodeclaram pardas foram as vítimas em 55% dos casos e em 62% das mortes, refletindo as desigualdades que atingem esse público. Segundo dados do Painel Cor ou Raça no Brasil do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 56,8% da população parda e 16,1% da população preta vivem em favelas e comunidades urbanas.
 

colônia de escorpião amarelo

Resistente, o escorpião-amarelo possui alta capacidade de adaptação ao ambiente

 

Esse fator é relevante porque a ausência de infraestrutura é um dos pontos determinantes para a proliferação de escorpiões no meio urbano, zona que concentra mais de 66% dos acidentes. O aracnídeo costuma ser encontrado em redes de águas pluviais e esgotos, ambientes propícios à multiplicação de baratas – seu principal alimento. Além disso, o acúmulo de lixo e entulhos complementa o cenário de risco.

No Brasil, o escorpião-amarelo (Tityus serrulatus) é o responsável pela maioria dos casos graves de envenenamento. Isso acontece devido, principalmente, à sua fácil capacidade de adaptação a ambientes antropizados (ou seja, que foram significativamente alterados pela ação humana). Outro detalhe é que as fêmeas da espécie conseguem se reproduzir sozinhas, sem necessidade de acasalamento com um macho, por conta de um fenômeno conhecido como partenogênese – o que ajuda a explicar a rápida disseminação do animal.

 

Escorpião carregando filhotes nas costas
Espécime de escorpião com filhotes nas costas; partenogênese contribui para o aumento da população do artrópode

 

Perfil das vítimas e distribuição dos acidentes

Em 2025, 51% das notificações envolveram pessoas do sexo feminino e 49% do sexo masculino. Entre as faixas etárias, destacam-se os adultos entre 20 e 29 anos, que somaram quase 34 mil registros ao longo do ano passado.

A mão e os dedos costumam ser as partes do corpo mais atingidas (41,26%), seguidos pelas pernas, pés e dedos dos pés (36,9%). Geralmente, os acidentes ocorrem durante a execução de atividades domésticas ou o manuseio de objetos em quintais e depósitos, o que reforça a importância do uso de equipamentos de proteção individual, como luvas grossas e calçados fechados.

Em relação à localidade, há uma forte concentração de casos no Sudeste e no Nordeste, que juntos são responsáveis por mais de 83% das notificações. Considerando os números absolutos, São Paulo e Minas Gerais lideram o ranking nacional, com 50.178 e 42.635 notificações, respectivamente. 

No entanto, o maior impacto proporcional é em Alagoas, onde o coeficiente de incidência ultrapassa os 440 acidentes por 100 mil habitantes — parte desse número pode ser atribuída à ampla presença do escorpião-do-nordeste (Tityus stigmurus) na área.

 

Embalagem de soro antiescorpiônico do Instituto Butantan

Produzido pelo Instituto Butantan, o soro antiescorpiônico é utilizado para o tratamento de quadros graves de envenenamento por escorpião

 

Como agir em caso de picada por escorpião 

O primeiro passo é procurar atendimento médico imediatamente após o acidente, mesmo que os sintomas iniciais pareçam leves, uma vez que os dados apontam que o tempo entre a picada e o atendimento médico é fator determinante para o desfecho clínico. A taxa de letalidade salta de 0,10 entre os pacientes atendidos na primeira hora, para 0,13 entre os que demoraram de uma a três horas para receber o socorro. 

Também não se deve aplicar nenhum tipo de produto, nem realizar torniquete ou compressa de gelo no local, uma vez que o frio pode potencializar a sensação de dor. A recomendação é lavar o local com água e sabão e, se possível, aquecer a região com compressas mornas, que ajudam a aliviar o desconforto.

Apesar do grande número de picadas que ocorreram em 2025 no Brasil, pouco menos de cerca de 5% dos acidentados precisaram receber o soro antiescorpiônico ou o soro antiaracnídico – ambos podem ser utilizados para o tratamento de quadros moderados ou graves de envenenamento causado por escorpiões do gênero Tityus. Produzidos pelo Instituto Butantan, os antivenenos são disponibilizados gratuitamente à população por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

 



* Dados coletados em 27/3/2026
Esta matéria foi validada pela bióloga e assistente técnica de apoio à pesquisa do Biotério de Artrópodes do Instituto Butantan Denise Candido.


Artigo republicado na íntegra do site :https://butantan.gov.br/noticias/escorpioes-causaram-65-dos-acidentes-com-animais-peconhentos-no-brasil-em-2025

Alimentar pombos (Columba livia) em praças públicas pode ser punido com multa?

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