Ratos urbanos espalham bactéria mortal enquanto migram, aponta estudo
Pesquisadores analisaram o comportamento dos roedores para mostrar como diferentes populações estão relacionadas e como seus deslocamentos espalham a leptospirose.
Ratos urbanos espalham uma bactéria mortal enquanto migram dentro das cidades, podendo ser fonte de uma doença potencialmente fatal em humanos, de acordo com um estudo de seis anos realizado por pesquisadores da Universidade Tufts e seus colaboradores, que também descobriram uma técnica inédita para testar rins de ratos.
A leptospirose é uma doença causada por um tipo de bactéria frequentemente encontrada em ratos. Ela se espalha por meio da urina dos roedores, contaminando solo, água ou outros ambientes, tornando-se fonte de infecção para humanos, cães e outras espécies. Embora seja prevalente em todo o mundo, é mais comum em regiões tropicais — mas as mudanças climáticas podem fazer com que se torne mais frequente em regiões frias que estão esquentando.
Em Boston, a leptospirose persiste nas populações locais de ratos, e diferentes cepas da bactéria circulam pela cidade à medida que grupos de ratos migram, segundo o novo estudo de Marieke Rosenbaum, M.P.H., D.V.M., professora assistente do Departamento de Doenças Infecciosas e Saúde Global da Faculdade de Medicina Veterinária Cummings, da Universidade Tufts, em parceria com coautores da Universidade do Norte do Arizona (NAU), do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Além disso, a análise genética de um caso humano de leptospirose em Boston, em 2018, indica fortemente os ratos como fonte da infecção.
O artigo, publicado recentemente na revista **PLOS Neglected Tropical Diseases**, é o trabalho mais recente conduzido por Rosenbaum e colaboradores como parte do *Boston Urban Rat Study*, um grupo de pesquisa que investiga se os ratos em Boston carregam patógenos que representam risco à saúde pública. Para este estudo, Rosenbaum se uniu ao Departamento de Serviços de Inspeção da Cidade de Boston e a outras instituições da cidade para monitorar ratos de 2016 a 2022 e testá-los para leptospirose. Os pesquisadores usaram técnicas moleculares avançadas para identificar exatamente quais tipos de leptospirose estavam presentes. Foram analisadas amostras de DNA de rins de 328 ratos coletados em 17 locais de Boston — 59 ratos, de 12 desses locais, testaram positivo para bactérias do gênero *Leptospira*.
A forma principal de se obter a sequência genômica completa de um vírus ou bactéria é cultivá-lo, mas isso foi um desafio porque o *Leptospira* é considerado um organismo de difícil cultivo,”** explica Rosenbaum.
“Ele tem exigências específicas de temperatura, pH e nutrientes. Mas nossos parceiros do USDA conseguiram cultivar a bactéria não só de rins frescos, mas também de rins congelados — algo inédito na literatura — para obter isolados."
Em seguida, os colaboradores da NAU, no *Pathogen & Microbiome Institute (PMI)*, usaram técnicas de captura e amplificação direcionada de DNA para separar e ampliar o DNA da leptospirose nas amostras, o que gerou uma grande quantidade de informações genômicas detalhadas sobre os isolados.
“As novas ferramentas genéticas que desenvolvemos e usamos neste estudo são um divisor de águas para a pesquisa em leptospirose, porque agora podemos usar o genoma completo para verificar a relação entre as amostras — algo que antes não era possível,” disse Dave Wagner, Ph.D., professor de ciências biológicas e diretor executivo do PMI na NAU.
“Com o cultivo e o sequenciamento, conseguimos analisar mais de perto como as diferentes cepas da leptospirose estão relacionadas, o que nos ajuda a entender como a bactéria é transmitida entre ratos e populações de ratos na cidade,” diz Rosenbaum.
Os pesquisadores esperam que suas descobertas ajudem a orientar ações de controle de ratos e mitigação de leptospirose em ambientes urbanos.
Sobre os casos humanos
Para este artigo, Rosenbaum e outros autores analisaram um caso humano de leptospirose em parceria com o CDC, que tinha um isolado obtido de um paciente em um hospital de Boston, relatado a nível federal. Pesquisadores da NAU sequenciaram o genoma e descobriram que era quase idêntico ao de três ratos diferentes, coletados em anos distintos, na mesma área de Boston.
“É uma evidência muito forte de que o rato foi a fonte desse caso humano,” afirma Rosenbaum.
Os ratos são a fonte mais conhecida de infecção por leptospirose em humanos. Mas nem todos os casos são diagnosticados ou notificados. Algumas pessoas podem se infectar, não apresentar sintomas e nem saber que foram contaminadas. Outras podem ter febre leve ou sintomas inespecíficos, até o sistema imunológico eliminar a infecção. No entanto, uma pequena porcentagem desenvolve uma forma mais grave da doença, que pode afetar diversos órgãos e, em casos extremos, levar à falência múltipla de órgãos e à morte.
“A exposição humana a ratos não é muito comum. Mas certas populações têm risco maior, como pessoas em situação de rua ou usuários de drogas injetáveis ao ar livre — situações que aumentam o contato direto com ratos,”** explica Rosenbaum.
Há também desafios para coletar dados sobre casos de leptospirose. Poucos médicos pensam em testá-la sem saber se o paciente teve exposição de risco. E mesmo quando testam, os resultados positivos às vezes não são notificados aos sistemas estaduais ou nacionais que reúnem esses dados. Além disso, como a leptospirose responde bem a antibióticos, se o médico prescreve o medicamento para tratar uma infecção suspeita, a bactéria pode não ser detectada no exame, explica Rosenbaum.
Sobre a migração dos ratos
“Os ratos têm uma estrutura genética muito definida, o que significa que há populações distintas em diferentes partes da cidade, altamente relacionadas entre si,”diz Rosenbaum.
“Não parece haver muita mistura com outras populações, o que contribui para uma população estável ao longo do tempo. Mas quando eles se dispersam, podem levar a leptospirose junto. A sequência genética da leptospirose também se mantém estável dentro de uma população de ratos por anos. Por exemplo, os ratos do Boston Common têm uma cepa que se mantém no local por anos, diferente da cepa que encontramos em outra área.”
Os pesquisadores descobriram que, em Boston, um rato precisaria percorrer mais de 600 metros para encontrar outra população geneticamente diferente. Também constataram que grandes avenidas interrompem totalmente a conexão entre populações de lados opostos e que os ratos usam áreas verdes e corredores biológicos para se deslocar e se misturar. Obras são outro fator conhecido por perturbar tocas, forçando os ratos a se mudar, o que pode aumentar a disseminação da bactéria.
Em termos de controle de pragas, Rosenbaum diz que o próximo passo é entender melhor como as intervenções de manejo impactam a migração dos ratos, a estrutura das populações e como isso afeta humanos e o meio ambiente.
“A extinção total é irreal,” diz ela. “Mas entender como diferentes ações de controle impactam a migração e a transmissão de patógenos dentro da população de ratos seria muito útil.”
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Percevejo-de-cama é identificado no sul do Brasil pela primeira vez
Uma descoberta preocupante chamou a atenção de autoridades de saúde: percevejos-de-cama (Cimex lectularius), que se alimentam de sangue humano, foram detectados no município de Cafelândia, no Paraná, marcando a primeira ocorrência confirmada no sul do país. A identificação foi feita pelo Laboratório de Parasitologia da Unesp, em Araraquara.
Esses pequenos insetos (4 a 10 mm) não transmitem doenças, mas provocam coceira, alergias e podem causar estresse e insônia. Segundo o pesquisador Jader de Oliveira, a presença dos percevejos-de-cama na região indica uma preocupante expansão geográfica e revela a ausência de políticas nacionais de vigilância, ao contrário do que ocorre com outros vetores, como o mosquito da dengue.
A infestação foi registrada em duas casas próximas em Cafelândia, cidade a cerca de 550 km de Curitiba, destacando a urgência de medidas preventivas. Os percevejos se escondem em colchões, roupas e móveis e se espalham ativamente ou por transporte passivo (aderindo a roupas e objetos). Com um ciclo de vida rápido, uma única fêmea pode colocar de 5 a 20 ovos após uma refeição de sangue.
Jader lembra que o uso intensivo de inseticidas como o DDT nos anos 1950 quase erradicou esses insetos, mas também os tornou mais resistentes, facilitando o ressurgimento de infestações. A identificação recente contou com técnicas laboratoriais específicas, incluindo o clareamento para visualização de características microscópicas.
A população deve estar atenta e comunicar sinais de infestação às autoridades. O combate exige controle mecânico, térmico e uso de inseticidas específicos, além de prevenção com lavagem de roupas e roupas de cama em alta temperatura. Embora o Brasil ainda careça de soluções eficazes, experiências internacionais, como o uso de cães farejadores para detectar percevejos em bagagens, podem inspirar novas estratégias.
A descoberta do percevejo-de-cama no sul do Brasil é um alerta: é urgente o desenvolvimento de políticas públicas e o engajamento da sociedade para conter essa praga urbana e proteger a saúde coletiva.
"Chumbinho" ferramenta de morte
O que é o ‘chumbinho’?
O chamado ‘chumbinho’ é um produto clandestino, irregularmente utilizado como raticida. Não possui registro na ANVISA nem em qualquer outro órgão governamental, sendo, portanto, ilegal e extremamente perigoso.
Aspecto físico
Geralmente, o ‘chumbinho’ apresenta-se sob a forma de um granulado cinza escuro ou grafite, semelhante à cor do chumbo, o que inspirou seu nome popular.
Composição e origem
O ‘chumbinho’ consiste, em grande parte, de agrotóxicos – venenos agrícolas de uso exclusivo na lavoura, como inseticidas, acaricidas ou nematicidas. Esses produtos são desviados ilegalmente do campo para os grandes centros urbanos e vendidos clandestinamente como raticidas. Entre as substâncias mais comuns encontradas nas amostras analisadas de ‘chumbinho’, destacam-se os carbamatos e organofosforados. O aldicarbe, um carbamato altamente tóxico, é o mais frequente, presente em cerca de 50% dos casos. Também já foram identificados carbofurano, terbufós, forato, monocrotofós e metomil, variando de região para região.
Produção e comercialização
A fabricação e a venda do ‘chumbinho’ são realizadas por quadrilhas de contraventores, que obtêm os agrotóxicos por meio de roubo de carga, contrabando de países vizinhos ao Brasil ou desvio direto das lavouras. Posteriormente, esses produtos são fracionados e diluídos antes de serem comercializados no mercado informal. Há ainda relatos de casas agrícolas irresponsáveis que, de forma clandestina, vendem esses venenos perigosos.
Eficiência no controle de roedores
Apesar de provocar a morte quase imediata do roedor, o ‘chumbinho’ não é uma solução eficaz para o controle desses animais. O que ocorre é que o veneno, altamente tóxico, mata o roedor logo após a ingestão, mas a colônia de ratos observa a situação e evita o produto posteriormente. Muitas vezes, o animal mais velho ou doente é o primeiro a provar o ‘novo alimento’, e sua morte alerta os demais, que simplesmente se deslocam para áreas vizinhas. Os raticidas legais e registrados na ANVISA, por outro lado, contêm anticoagulantes que causam a morte lenta dos roedores, permitindo que todos na colônia ingiram o veneno antes que percebam o risco, eliminando-os de forma mais eficaz e segura.
Perigos do uso do ‘chumbinho’
Além de ser ilegal, o ‘chumbinho’ não possui rótulo com informações sobre manuseio, orientações médicas ou telefones de emergência. O mais grave é a ausência da descrição do agente ativo e do antídoto adequado, o que dificulta o atendimento médico em caso de intoxicação. Os sintomas típicos da intoxicação por ‘chumbinho’ incluem manifestações de síndrome colinérgica, como náuseas, vômitos, sudorese, salivação excessiva, borramento visual, contração das pupilas (miose), hipersecreção brônquica, dor abdominal, diarreia, tremores e taquicardia, geralmente surgindo menos de uma hora após a ingestão.
Em caso de intoxicação, ligue para o Disque-Intoxicação: 0800-722-6001. A ligação é gratuita e você será atendido e orientado por um profissional de saúde especializado.
Atenção!
A compra e venda de ‘chumbinho’ é crime. Denuncie!
Como as baratas são usadas com fins medicinais no mundo.
Um interessante trabalho desenvolvido na Universidade Estadual de Feira de Santana, na Bahia levantou dados muito interessantes sobre o uso de animais, especificamente insetos, no tratamento de diversas doenças.
A pesquisa foi feita em uma cidade pequena chamada Pedra Branca e uma grande quantidade de informações foi obtida demonstrando que nos locais mais remotos, onde a Saúde Pública passa de relance, seus habitantes vão construindo protocolos baseados no uso do que eles têm a mão, para tratar diversas enfermidades.
"Este artigo aborda o uso de insetos como recursos medicinais por moradores do povoado de Pedra Branca, situado no interior do estado da Bahia, nordeste do Brasil. O estudo foi realizado entre fevereiro e maio de 2001, por meio de entrevistas abertas com 52 informantes, de ambos os sexos, com idades acima de 30 anos.
A importância relativa (IR), uma medida de versatilidade, foi utilizada para estimar o valor de cada recurso entomoterapêutico. Ao todo, foram identificados 27 tipos de insetos empregados no tratamento de doenças e sintomas localmente reconhecidos. A ordem Hymenoptera destacou-se, com 12 tipos de insetos representados.
O registro do uso medicinal de insetos nesta comunidade representa uma contribuição significativa para o conhecimento sobre a zooterapia. Recomenda-se a realização de estudos bioquímicos e farmacológicos com o objetivo de desenvolver novas drogas que contribuam para a melhoria da saúde humana."
O artigo contém uma tabela com todos os detalhes das espécies mais utilizadas e sua finalidade. Como estamos num blog que fala de pragas urbanas, o uso de baratas foi bastante surpreendente, tanto no Brasil como oem outros países.
Para uma breve discussão sobre a importância dos recursos entomoterapêuticos, são apresentados exemplos de insetos com potencial de uso na medicina popular praticada no povoado de Pedra Branca. Entre as baratas, os entrevistados mencionaram duas espécies: a barata comum (Periplaneta americana) e a carocha (Eurycotis manni Rehn, 1916). A barata comum, quando torrada e triturada, é utilizada no preparo de remédios prescritos para tratar bronquite asmática, dor de ouvido, embriaguez, asma, epilepsia, feridas provocadas por estrepes e furúnculos. Em pedaços, é usada para aliviar asma e cólicas menstruais. Já a carocha é indicada para dores de cabeça, sendo recomendada a inalação do cheiro do inseto ainda vivo.
O uso medicinal de baratas tem registros históricos antigos. Plínio, o Velho, já no século I d.C., mencionava que a gordura de uma “Blatta”, triturada com óleo de rosas, era eficaz no tratamento de dores de ouvido (Carrera, 1993). No Brasil do século XVIII, Sampaio (1789 apud Nomura, 1998) descreveu o uso de P. americana: “Torrefacta, e em pó dada em qualquer licor he hum bom anticolico. Tambem aproveita nos affectos asmaticos cozida em agoa commua, e dado o cozimento a beber ao enfermo repetidas vezes”. Na medicina tradicional da Amazônia, o pó dessa barata, dissolvido em vinho, aguardente ou mesmo em água, é utilizado para retenção de urina, cólicas renais e crises de asma (Figueiredo, 1994). Meyer-Rochow (1978/1979) relata que, em partes da Indonésia, baratas assadas são consumidas para o tratamento da asma, e que o povo Yolnu, no norte da Austrália, aplica uma poção de baratas esmagadas sobre pequenos cortes como tratamento.
Para os interessados em ler todo o trabalho , seguem abaixo as informações para localização na internet.
Utilização medicinal de insetos no povoado de Pedra Branca, Santha Terezinha, Bahia, Brasil, de Eraldo Medeiros Costa Neto e Josue Marques Pacheco, aceito para publicação em 09.07.2004.
Depto de Ciências Biológicas. Universidade Estadual de Feira de Santana
https://periodicos.ufsc.br/index.php/biotemas/article/view/21470/19426
Lagartixas: aliadas discretas no controle de pragas
Ter uma lagartixa em casa pode parecer incômodo à primeira vista, mas, na verdade, é um sinal positivo para quem se preocupa com o equilíbrio ecológico do ambiente doméstico. Esses pequenos répteis, bastante comuns em todo o Brasil, são predadores naturais de baratas, pernilongos, mosquitos, escorpiões e até pequenas aranhas.
A lagartixa-doméstica-tropical, também conhecida como lagartixa de parede, é um pequeno réptil bastante comum nas residências brasileiras. Seu nome científico é Hemidactylus mabouia — uma junção de termos do grego e de línguas indígenas: hemi (metade), dactylos (referente às lamelas dos dedos) e mabouia, palavra que remete a medo ou repulsa, originada de tribos nativas das Américas.
Apesar do nome exótico e da reação negativa que algumas pessoas ainda têm, essa lagartixa é inofensiva e desempenha um papel importante no controle de insetos dentro de casa.
Sua
presença contribui para o controle biológico de pragas, ajudando a reduzir a
necessidade de inseticidas químicos — que, além de afetarem o meio ambiente,
também podem ser prejudiciais à saúde humana.
Apesar da
aparência que assusta algumas pessoas, as lagartixas são completamente
inofensivas. Não transmitem doenças, não possuem veneno e não atacam humanos.
“São animais tímidos, que evitam o contato com as pessoas. Costumam sair à
noite, em busca de alimento. Quando encontramos uma lagartixa em casa, é sinal
de que o ambiente está funcionando como um pequeno ecossistema equilibrado”,
explica o herpetólogo André Lima, da Universidade Federal de Goiás.
Elas
também são altamente adaptáveis aos centros urbanos e se aproveitam da
iluminação artificial para caçar insetos. Por isso, é comum vê-las perto de
lâmpadas. Essa convivência pacífica e benéfica torna as lagartixas verdadeiras
aliadas da saúde pública, principalmente em locais com incidência de doenças
transmitidas por mosquitos, como dengue, zika e chikungunya.
Mais do
que tolerá-las, aprender a conviver com as lagartixas pode ser uma ótima
oportunidade de promover a educação ambiental, especialmente entre as crianças.
“Muitos medos vêm da falta de informação. Ao compreendermos o papel ecológico
das lagartixas, passamos a respeitá-las e até valorizá-las”, afirma André Lima.
Na
próxima vez que vir uma lagartixa na parede, pense duas vezes antes de
expulsá-la. Ela pode estar trabalhando silenciosamente para manter sua casa
mais segura e saudável.
Fonte: adaptação do texto no site: https://www.jornalopcao.com.br/
Raiva humana: Campinas tem recorde de atendimentos por risco da doença
Raiva humana: Campinas tem recorde de atendimentos por risco da doença; veja o que fazer ao ser atacado por animais
Número indica uma média de 12 assistências diárias a casos de contato de risco com animais, como mordedura e arranhadura. Balanço aponta aumento em relação a 2023.
Campinas (SP) realizou em 2024, de janeiro a dezembro, 4,3 mil atendimentos antirrábicos em humanos. O número indica uma média diária de 12 assistências a casos que envolviam algum tipo de contato de risco por parte de um animal, como arranhadura, mordedura e até lambedura.
O número registrado no ano passado é o maior da década e mostra um aumento de 8% em relação à 2023. O índice se refere a atendimentos, e não a casos de raiva – a última ocorrência da doença entre humanos no estado de São Paulo foi em 2018.
O balanço foi extraído do painel epidemiológico do Ministério da Saúde e incluem, além da observação de animais suspeitos, as seguintes formas de atendimento:
356 aplicações de vacina: protocolo adotado em casos leves;
725 aplicações de soro antirrábico + vacina: protocolo adotado em casos graves;
815 aplicações de soro antirrábico ou imunoglobulina: nos casos em que a pessoa já é vacinada contra a raiva, mas sofreu uma exposição ao vírus, ou se o paciente não pode tomar a vacina por algum motivo.
O levantamento também traz detalhes sobre o perfil dos casos, e aponta que:
a maioria envolvia pessoas com idades entre 20 e 29 anos, mas há registros em todas as faixas etárias, inclusive crianças e idosos;
os ataques de animais domésticos, como cães e gatos, foram os mais frequentes, embora haja registros de acidentes com morcegos, primatas, herbívoros domésticos e raposas.
Abaixo, confira detalhes sobre o perfil dos atendimentos e como buscar ajuda na metrópole.
Exposições por tipo de animal
De acordo com o Ministério da Saúde, a raiva é uma doença infecciosa viral aguda grave que acomete mamíferos, inclusive o homem. Ela é considerada de extrema importância para a saúde pública devido a sua letalidade de aproximadamente 100%.
A transmissão aos seres humanos ocorre pelo contato com a saliva de animais infectados, principalmente por meio da mordida. No entanto, a lambida e os arranhões também são um sinal de alerta.
Veja abaixo os animais mais frequentemente envolvidos nos casos em Campinas (isso não significa, necessariamente, que eles estavam contaminados pelo vírus da raiva, mas sim que alguém foi exposto e precisou do protocolo antirrábico):
Em todo o Brasil, entre 2010 e 2025, foram registrados 50 casos de raiva humana. Desses, nove foram causados por mordidas de cães, 22 por morcegos, sete por primatas, dois por raposas, cinco por felinos, e um por bovino.
Em quatro casos, não foi possível identificar o animal envolvido. Além disso, em toda a história da raiva humana no país, apenas dois pacientes sobreviveram. Todos os outros evoluíram para óbito. Os casos mais recentes foram registrados em Pernambuco e no Ceará.
DOCUMENTAÇÃO – UM CASO SÉRIO IV
A elaboração de uma proposta técnica de controle integrado de pragas marca na verdade o início de todo o caminho dessa prestação de serviços. A legislação estadual considera-a como um documento com normas de preenchimento e que deverá conter as informações preliminares fundamentais de todo o controle. Já a legislação Federal Anvisa possui uma Norma mais abrangente, com menos detalhes, abragendo os pontos principais.
Esta padronização tem também o efeito de nivelar as empresas para facilitar inclusive o julgamento técnico. Porém são válidas somente para o Estado deSão Pasulo. Para outros estados a RDC 622 é a principal e somente em alguns são exigidas normas locais.
Muitas pessoas que são escaladas para fazer este julgamento alegam não conhecerem as características desse trabalho e reclamam muito da dificuldade que têm para analisar as propostas.
Realmente, muitas propostas se limitam a mostrar os números (que é a parte inicialmente analisada pelo comprador) deixando a parte técnica um pouco confusa ou misturando informações de cunho mercadológico com informações de cunho técnico, o que, na maioria das vezes, desnorteia o comprador, confundindo o julgamento.
As legislações vieram estabelecer um critério mais frio e ponderado que fornecendo elementos técnicos mais facilmente comparáveis, ajudando sobremaneira nesse árduo processo de julgamento.
1 - Dados da empresa controladora (razão social, endereço completo, telefone).
6 - Tipo de atividade e uso que tem o imóvel.
10 - Área total aproximada.
11 - Vetores e pragas encontradas durante a vistoria.
12 - Tabela contendo os seguintes dados:
Além de todas essas informações faz parte da proposta técnica uma descrição das medidas preventivas relacionadas com a(s) praga(s) a ser(em) combatida(s).
Lucia Schuller - bióloga e Mestre em Saúde Pública
Fontes: Portaria CVS 09 (Centro de Vigilância Sanitária SP) - 16.11.2000
Resolução RDC nº 622, de 09 de março de 2022.
Um mosquito pode picar por cima da roupa?
Os mosquitos podem picar através da roupa, principalmente se o tecido for fino ou justo, porque o aparelho bucal da fêmea do mosquito é longo o suficiente para perfurá-lo e alcançar a pele. Além disso, alguns tipos de tecido, como linho ou voil, são mais fáceis de serem penetrados.
Explicação Detalhada:
Aparelho Bucal:
As fêmeas dos mosquitos possuem um aparelho bucal longo e pontiagudo, projetado para perfurar a pele e alcançar os vasos sanguíneos para se alimentarem. O aparelho bucal da fêmea do mosquito é do tipo perfurante e sugador, adaptado para a alimentação de sangue. Ele consiste em um conjunto de estruturas, incluindo a probóscide (ou tromba), que contém canais para a injeção de saliva e a sucção do sangue.
Detalhes do aparelho bucal:
Probóscide: É o órgão longo e pontiagudo que perfura a pele para chegar aos vasos sanguíneos.
Hipofaringe: Um canal dentro da probóscide que insere a saliva, que pode conter substâncias anticoagulantes.
Labro: Outro canal dentro da probóscide que suga o sangue.
Estiletes: Pequenas estruturas pontiagudas que ajudam a perfurar a pele.
Sensilas: Pequenas estruturas sensoriais localizadas nas partes bucais que ajudam o mosquito a identificar hospedeiros e a realizar comportamentos como a oviposição.
Este aparelho bucal permite que a fêmea do mosquito alcance os vasos sanguíneos e se alimente de sangue, tornando-se um vetor de diversas doenças.
Tipo de Tecido:
Tecidos finos, como linho, voil ou lycra, oferecem menos resistência e são mais facilmente penetrados pela probóscide do mosquito.
Ajuste da Roupa:
Roupas justas, como calças de ioga ou camisetas leves, também podem permitir que os mosquitos encontrem a pele sob o tecido, pois o mosquito pode se deslocar e se alimentar através do tecido.
Cor da Roupa:
Embora a cor da roupa não afete diretamente a capacidade do mosquito de picar através do tecido, cores escuras podem atrair mais os mosquitos, pois retêm mais calor que as cores claras.
Outros Atributos da Pele:
Os mosquitos são atraídos pelo calor, odor (incluindo o do suor e CO2) e até mesmo por padrões visuais da pele humana.
Como Evitar Picadas:
Utilizar roupas que bloqueiam os mosquitos:
Roupas largas e de tecidos mais grossos podem ajudar a impedir que os mosquitos alcancem a pele.
Aplicar repelente nas roupas:
Borrifar repelente nas roupas pode ajudar a evitar as picadas, especialmente nas áreas onde a pele está exposta.
Optar por roupas claras:
Embora a cor da roupa não seja o fator principal, roupas claras podem refletir mais calor e, portanto, serem menos atrativas para os mosquitos.
Controle biológico de baratas é possível?
Sim, a vespa Ampulex compressa (também conhecida como vespa-joia ou vespa-esmeralda) é comercializada nos Estados Unidos por empresas de controle de pragas. Esta vespa parasitóide é utilizada para o controle de baratas, pois ela parasita as ootecas (cápsulas de ovos) das baratas, e seus ovos se desenvolvem dentro das ootecas, matando os ovos de barata e, consequentemente, controlando a população de baratas.
Detalhes:
Vespas-joia (Ampulex compressa):
Esta vespa é nativa da América do Sul, mas foi introduzida nos Estados Unidos para o controle de baratas, {conforme informações do Instituto Butantan https://butantan.gov.br/bubutantan/vespa-esmeralda-e-as-baratas-zumbis-conheca-o-inseto-que-parece-ter-saido-de-um-filme-de-terror}.
Controle de pragas:
As empresas de controle de pragas utilizam as vespas-joia para liberar as vespas nas áreas infestadas com baratas, que então irão parasitar as ootecas e controlar a população de baratas.
Vantagens:
Esta forma de controle de baratas é considerada mais ecológica do que o uso de pesticidas, pois não envolve o uso de produtos químicos tóxicos.
Pesquisa:
O uso de vespas-joia para controle de baratas tem sido alvo de pesquisa em diversas universidades e institutos de pesquisa em todo o mundo, incluindo a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) no Brasil.
Outras espécies:
Embora a Ampulex compressa seja a espécie mais utilizada, outras espécies de vespas parasitóides também estão sendo estudadas e podem ter potencial para o controle de baratas, {conforme a Revista Ciência Hoje https://cienciahoje.org.br/artigo/vespas-contra-baratas/}.
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