Raiva humana: Campinas tem recorde de atendimentos por risco da doença; veja o que fazer ao ser atacado por animais
Número indica uma média de 12 assistências diárias a casos de contato de risco com animais, como mordedura e arranhadura. Balanço aponta aumento em relação a 2023.
Campinas (SP) realizou em 2024, de janeiro a dezembro, 4,3 mil atendimentos antirrábicos em humanos. O número indica uma média diária de 12 assistências a casos que envolviam algum tipo de contato de risco por parte de um animal, como arranhadura, mordedura e até lambedura.
O número registrado no ano passado é o maior da década e mostra um aumento de 8% em relação à 2023. O índice se refere a atendimentos, e não a casos de raiva – a última ocorrência da doença entre humanos no estado de São Paulo foi em 2018.
O balanço foi extraído do painel epidemiológico do Ministério da Saúde e incluem, além da observação de animais suspeitos, as seguintes formas de atendimento:
356 aplicações de vacina: protocolo adotado em casos leves;
725 aplicações de soro antirrábico + vacina: protocolo adotado em casos graves;
815 aplicações de soro antirrábico ou imunoglobulina: nos casos em que a pessoa já é vacinada contra a raiva, mas sofreu uma exposição ao vírus, ou se o paciente não pode tomar a vacina por algum motivo.
O levantamento também traz detalhes sobre o perfil dos casos, e aponta que:
a maioria envolvia pessoas com idades entre 20 e 29 anos, mas há registros em todas as faixas etárias, inclusive crianças e idosos;
os ataques de animais domésticos, como cães e gatos, foram os mais frequentes, embora haja registros de acidentes com morcegos, primatas, herbívoros domésticos e raposas.
Abaixo, confira detalhes sobre o perfil dos atendimentos e como buscar ajuda na metrópole.
Exposições por tipo de animal
De acordo com o Ministério da Saúde, a raiva é uma doença infecciosa viral aguda grave que acomete mamíferos, inclusive o homem. Ela é considerada de extrema importância para a saúde pública devido a sua letalidade de aproximadamente 100%.
A transmissão aos seres humanos ocorre pelo contato com a saliva de animais infectados, principalmente por meio da mordida. No entanto, a lambida e os arranhões também são um sinal de alerta.
Veja abaixo os animais mais frequentemente envolvidos nos casos em Campinas (isso não significa, necessariamente, que eles estavam contaminados pelo vírus da raiva, mas sim que alguém foi exposto e precisou do protocolo antirrábico):
Em todo o Brasil, entre 2010 e 2025, foram registrados 50 casos de raiva humana. Desses, nove foram causados por mordidas de cães, 22 por morcegos, sete por primatas, dois por raposas, cinco por felinos, e um por bovino.
Em quatro casos, não foi possível identificar o animal envolvido. Além disso, em toda a história da raiva humana no país, apenas dois pacientes sobreviveram. Todos os outros evoluíram para óbito. Os casos mais recentes foram registrados em Pernambuco e no Ceará.
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