Como um inseto detestado pode trazer tantos benefícios para a pesquisa científica ?

 A Drosophila melanogaster, ou mosca da fruta, é um organismo modelo amplamente utilizado em pesquisas científicas, especialmente em genética e biologia do desenvolvimento, devido a diversas vantagens. Seus estudos têm contribuído para a compreensão de processos biológicos fundamentais e doenças humanas. 




Vantagens da Drosophila como organismo modelo:

Ciclo de vida curto:

A Drosophila tem um ciclo de vida rápido, com uma geração completa em cerca de 10-14 dias, o que permite a observação de múltiplas gerações em um curto período de tempo. 

Grande número de descendentes:

Cada fêmea produz um grande número de descendentes, o que facilita a análise estatística e a obtenção de dados significativos. 

Facilidade de manipulação:

As moscas-das-frutas são pequenas e fáceis de manusear, e seus experimentos podem ser realizados com equipamentos relativamente simples. 

Cromossomos politênicos:

As glândulas salivares das larvas de Drosophila possuem cromossomos politênicos, que são cromossomos gigantes com bandas visíveis ao microscópio, permitindo a identificação de alterações genéticas. 

Baixo custo:

A criação e manutenção de moscas-das-frutas em laboratório são relativamente baratas em comparação com outros organismos modelos. 

Genoma bem caracterizado:

O genoma da Drosophila é bem mapeado e sequenciado, o que facilita a identificação e manipulação de genes específicos. 

Conservação evolutiva:

Muitos genes da Drosophila têm homologia com genes humanos, o que torna a mosca um bom modelo para estudar doenças humanas. 

Aplicações em pesquisa:

Genética: Estudos genéticos clássicos e moleculares, identificação de genes e análise de suas funções. 

Biologia do desenvolvimento: Compreensão dos processos de desenvolvimento embrionário e formação de tecidos. 

Neurociência: Modelagem de doenças neurodegenerativas e estudo do desenvolvimento e função do sistema nervoso. 

Imunologia: Investigação de respostas imunitárias e doenças relacionadas ao sistema imunológico. 

Descoberta de medicamentos: Teste de novos medicamentos em vias bioquímicas conservadas em humanos. 

Estudos sobre envelhecimento: Observação de processos relacionados ao envelhecimento e longevidade. 

Exemplos de estudos:

Leucemia mieloide aguda:

A Drosophila tem sido usada para estudar a LMA e identificar genes envolvidos na doença. 

Doenças neurodegenerativas:

Modelos de doenças como Parkinson e Alzheimer foram criados em Drosophila para estudar a patologia e testar terapias. 

Câncer:

A Drosophila tem sido usada para estudar a progressão do câncer e identificar alvos terapêuticos. 

Em resumo, a Drosophila melanogaster é um organismo modelo versátil e poderoso que tem contribuído significativamente para a pesquisa em diversas áreas da biologia e medicina. 


Texto desenvolvido por IA

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Ratos urbanos espalham bactéria mortal enquanto migram, aponta estudo

Pesquisadores analisaram o comportamento dos roedores para mostrar como diferentes populações estão relacionadas e como seus deslocamentos espalham a leptospirose.




Ratos urbanos espalham uma bactéria mortal enquanto migram dentro das cidades, podendo ser fonte de uma doença potencialmente fatal em humanos, de acordo com um estudo de seis anos realizado por pesquisadores da Universidade Tufts e seus colaboradores, que também descobriram uma técnica inédita para testar rins de ratos.

A leptospirose é uma doença causada por um tipo de bactéria frequentemente encontrada em ratos. Ela se espalha por meio da urina dos roedores, contaminando solo, água ou outros ambientes, tornando-se fonte de infecção para humanos, cães e outras espécies. Embora seja prevalente em todo o mundo, é mais comum em regiões tropicais — mas as mudanças climáticas podem fazer com que se torne mais frequente em regiões frias que estão esquentando.

Em Boston, a leptospirose persiste nas populações locais de ratos, e diferentes cepas da bactéria circulam pela cidade à medida que grupos de ratos migram, segundo o novo estudo de Marieke Rosenbaum, M.P.H., D.V.M., professora assistente do Departamento de Doenças Infecciosas e Saúde Global da Faculdade de Medicina Veterinária Cummings, da Universidade Tufts, em parceria com coautores da Universidade do Norte do Arizona (NAU), do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Além disso, a análise genética de um caso humano de leptospirose em Boston, em 2018, indica fortemente os ratos como fonte da infecção.

O artigo, publicado recentemente na revista **PLOS Neglected Tropical Diseases**, é o trabalho mais recente conduzido por Rosenbaum e colaboradores como parte do *Boston Urban Rat Study*, um grupo de pesquisa que investiga se os ratos em Boston carregam patógenos que representam risco à saúde pública. Para este estudo, Rosenbaum se uniu ao Departamento de Serviços de Inspeção da Cidade de Boston e a outras instituições da cidade para monitorar ratos de 2016 a 2022 e testá-los para leptospirose. Os pesquisadores usaram técnicas moleculares avançadas para identificar exatamente quais tipos de leptospirose estavam presentes. Foram analisadas amostras de DNA de rins de 328 ratos coletados em 17 locais de Boston — 59 ratos, de 12 desses locais, testaram positivo para bactérias do gênero *Leptospira*.

A forma principal de se obter a sequência genômica completa de um vírus ou bactéria é cultivá-lo, mas isso foi um desafio porque o *Leptospira* é considerado um organismo de difícil cultivo,”** explica Rosenbaum.

“Ele tem exigências específicas de temperatura, pH e nutrientes. Mas nossos parceiros do USDA conseguiram cultivar a bactéria não só de rins frescos, mas também de rins congelados — algo inédito na literatura — para obter isolados."

Em seguida, os colaboradores da NAU, no *Pathogen & Microbiome Institute (PMI)*, usaram técnicas de captura e amplificação direcionada de DNA para separar e ampliar o DNA da leptospirose nas amostras, o que gerou uma grande quantidade de informações genômicas detalhadas sobre os isolados.

“As novas ferramentas genéticas que desenvolvemos e usamos neste estudo são um divisor de águas para a pesquisa em leptospirose, porque agora podemos usar o genoma completo para verificar a relação entre as amostras — algo que antes não era possível,” disse Dave Wagner, Ph.D., professor de ciências biológicas e diretor executivo do PMI na NAU.

“Com o cultivo e o sequenciamento, conseguimos analisar mais de perto como as diferentes cepas da leptospirose estão relacionadas, o que nos ajuda a entender como a bactéria é transmitida entre ratos e populações de ratos na cidade,” diz Rosenbaum.

Os pesquisadores esperam que suas descobertas ajudem a orientar ações de controle de ratos e mitigação de leptospirose em ambientes urbanos.

Sobre os casos humanos

Para este artigo, Rosenbaum e outros autores analisaram um caso humano de leptospirose em parceria com o CDC, que tinha um isolado obtido de um paciente em um hospital de Boston, relatado a nível federal. Pesquisadores da NAU sequenciaram o genoma e descobriram que era quase idêntico ao de três ratos diferentes, coletados em anos distintos, na mesma área de Boston.

“É uma evidência muito forte de que o rato foi a fonte desse caso humano,” afirma Rosenbaum.

Os ratos são a fonte mais conhecida de infecção por leptospirose em humanos. Mas nem todos os casos são diagnosticados ou notificados. Algumas pessoas podem se infectar, não apresentar sintomas e nem saber que foram contaminadas. Outras podem ter febre leve ou sintomas inespecíficos, até o sistema imunológico eliminar a infecção. No entanto, uma pequena porcentagem desenvolve uma forma mais grave da doença, que pode afetar diversos órgãos e, em casos extremos, levar à falência múltipla de órgãos e à morte.

“A exposição humana a ratos não é muito comum. Mas certas populações têm risco maior, como pessoas em situação de rua ou usuários de drogas injetáveis ao ar livre — situações que aumentam o contato direto com ratos,”** explica Rosenbaum.

Há também desafios para coletar dados sobre casos de leptospirose. Poucos médicos pensam em testá-la sem saber se o paciente teve exposição de risco. E mesmo quando testam, os resultados positivos às vezes não são notificados aos sistemas estaduais ou nacionais que reúnem esses dados. Além disso, como a leptospirose responde bem a antibióticos, se o médico prescreve o medicamento para tratar uma infecção suspeita, a bactéria pode não ser detectada no exame, explica Rosenbaum.

Sobre a migração dos ratos

“Os ratos têm uma estrutura genética muito definida, o que significa que há populações distintas em diferentes partes da cidade, altamente relacionadas entre si,”diz Rosenbaum.

“Não parece haver muita mistura com outras populações, o que contribui para uma população estável ao longo do tempo. Mas quando eles se dispersam, podem levar a leptospirose junto. A sequência genética da leptospirose também se mantém estável dentro de uma população de ratos por anos. Por exemplo, os ratos do Boston Common têm uma cepa que se mantém no local por anos, diferente da cepa que encontramos em outra área.”

Os pesquisadores descobriram que, em Boston, um rato precisaria percorrer mais de 600 metros para encontrar outra população geneticamente diferente. Também constataram que grandes avenidas interrompem totalmente a conexão entre populações de lados opostos e que os ratos usam áreas verdes e corredores biológicos para se deslocar e se misturar. Obras são outro fator conhecido por perturbar tocas, forçando os ratos a se mudar, o que pode aumentar a disseminação da bactéria.

Em termos de controle de pragas, Rosenbaum diz que o próximo passo é entender melhor como as intervenções de manejo impactam a migração dos ratos, a estrutura das populações e como isso afeta humanos e o meio ambiente.

“A extinção total é irreal,” diz ela. “Mas entender como diferentes ações de controle impactam a migração e a transmissão de patógenos dentro da população de ratos seria muito útil.”






ROEDORES Semana 2









 

Roedores semana 1

 


🛡️ Repeltex®: Tecido repelente com proteção de até 4 meses

Desenvolvido pela UFMG e lançado pela startup InnoVec, o Repeltex® é um tecido inovador que oferece proteção contra mosquitos por até 4 meses, sem necessidade de reaplicação. A tecnologia libera continuamente o repelente no ambiente, protegendo pessoas em um raio de até 6 metros.

✅ Eficácia comprovada

74% contra o Aedes aegypti (dengue)

84% contra o Anopheles darlingi (malária)

Ambos acima dos padrões da OMS.

🧪 Desenvolvimento

Início: 2016, no Instituto de Ciências Biológicas da UFMG.

Tecido base: sisal.

Testes realizados em Belo Horizonte e Porto Velho.

Parcerias: Ifakara Health Institute (Tanzânia), USAID e Grand Challenges Canadá.

🏠 Aplicações

Pode ser usado em calçados, roupas, móveis e acessórios.

Sem cheiro, dispensa energia elétrica e tem refil renovável.

📊 Aceitação

80% continuaram usando os calçados após testes.

95% dos entrevistados demonstraram interesse na compra.

Com mais de 6,5 milhões de casos prováveis de dengue no Brasil em 2024, o Repeltex® surge como uma alternativa promissora de proteção contínua e segura contra arboviroses.

Percevejo-de-cama é identificado no sul do Brasil pela primeira vez

Uma descoberta preocupante chamou a atenção de autoridades de saúde: percevejos-de-cama (Cimex lectularius), que se alimentam de sangue humano, foram detectados no município de Cafelândia, no Paraná, marcando a primeira ocorrência confirmada no sul do país. A identificação foi feita pelo Laboratório de Parasitologia da Unesp, em Araraquara.



Esses pequenos insetos (4 a 10 mm) não transmitem doenças, mas provocam coceira, alergias e podem causar estresse e insônia. Segundo o pesquisador Jader de Oliveira, a presença dos percevejos-de-cama na região indica uma preocupante expansão geográfica e revela a ausência de políticas nacionais de vigilância, ao contrário do que ocorre com outros vetores, como o mosquito da dengue.

A infestação foi registrada em duas casas próximas em Cafelândia, cidade a cerca de 550 km de Curitiba, destacando a urgência de medidas preventivas. Os percevejos se escondem em colchões, roupas e móveis e se espalham ativamente ou por transporte passivo (aderindo a roupas e objetos). Com um ciclo de vida rápido, uma única fêmea pode colocar de 5 a 20 ovos após uma refeição de sangue.

Jader lembra que o uso intensivo de inseticidas como o DDT nos anos 1950 quase erradicou esses insetos, mas também os tornou mais resistentes, facilitando o ressurgimento de infestações. A identificação recente contou com técnicas laboratoriais específicas, incluindo o clareamento para visualização de características microscópicas.

A população deve estar atenta e comunicar sinais de infestação às autoridades. O combate exige controle mecânico, térmico e uso de inseticidas específicos, além de prevenção com lavagem de roupas e roupas de cama em alta temperatura. Embora o Brasil ainda careça de soluções eficazes, experiências internacionais, como o uso de cães farejadores para detectar percevejos em bagagens, podem inspirar novas estratégias.

A descoberta do percevejo-de-cama no sul do Brasil é um alerta: é urgente o desenvolvimento de políticas públicas e o engajamento da sociedade para conter essa praga urbana e proteger a saúde coletiva.




"Chumbinho" ferramenta de morte

 


O que é o ‘chumbinho’?

O chamado ‘chumbinho’ é um produto clandestino, irregularmente utilizado como raticida. Não possui registro na ANVISA nem em qualquer outro órgão governamental, sendo, portanto, ilegal e extremamente perigoso.

Aspecto físico

Geralmente, o ‘chumbinho’ apresenta-se sob a forma de um granulado cinza escuro ou grafite, semelhante à cor do chumbo, o que inspirou seu nome popular.


Composição e origem

O ‘chumbinho’ consiste, em grande parte, de agrotóxicos – venenos agrícolas de uso exclusivo na lavoura, como inseticidas, acaricidas ou nematicidas. Esses produtos são desviados ilegalmente do campo para os grandes centros urbanos e vendidos clandestinamente como raticidas. Entre as substâncias mais comuns encontradas nas amostras analisadas de ‘chumbinho’, destacam-se os carbamatos e organofosforados. O aldicarbe, um carbamato altamente tóxico, é o mais frequente, presente em cerca de 50% dos casos. Também já foram identificados carbofurano, terbufós, forato, monocrotofós e metomil, variando de região para região.

Produção e comercialização

A fabricação e a venda do ‘chumbinho’ são realizadas por quadrilhas de contraventores, que obtêm os agrotóxicos por meio de roubo de carga, contrabando de países vizinhos ao Brasil ou desvio direto das lavouras. Posteriormente, esses produtos são fracionados e diluídos antes de serem comercializados no mercado informal. Há ainda relatos de casas agrícolas irresponsáveis que, de forma clandestina, vendem esses venenos perigosos.

Eficiência no controle de roedores

Apesar de provocar a morte quase imediata do roedor, o ‘chumbinho’ não é uma solução eficaz para o controle desses animais. O que ocorre é que o veneno, altamente tóxico, mata o roedor logo após a ingestão, mas a colônia de ratos observa a situação e evita o produto posteriormente. Muitas vezes, o animal mais velho ou doente é o primeiro a provar o ‘novo alimento’, e sua morte alerta os demais, que simplesmente se deslocam para áreas vizinhas. Os raticidas legais e registrados na ANVISA, por outro lado, contêm anticoagulantes que causam a morte lenta dos roedores, permitindo que todos na colônia ingiram o veneno antes que percebam o risco, eliminando-os de forma mais eficaz e segura.

Perigos do uso do ‘chumbinho’

Além de ser ilegal, o ‘chumbinho’ não possui rótulo com informações sobre manuseio, orientações médicas ou telefones de emergência. O mais grave é a ausência da descrição do agente ativo e do antídoto adequado, o que dificulta o atendimento médico em caso de intoxicação. Os sintomas típicos da intoxicação por ‘chumbinho’ incluem manifestações de síndrome colinérgica, como náuseas, vômitos, sudorese, salivação excessiva, borramento visual, contração das pupilas (miose), hipersecreção brônquica, dor abdominal, diarreia, tremores e taquicardia, geralmente surgindo menos de uma hora após a ingestão.

Em caso de intoxicação, ligue para o Disque-Intoxicação: 0800-722-6001. A ligação é gratuita e você será atendido e orientado por um profissional de saúde especializado.

Atenção!
A compra e venda de ‘chumbinho’ é crime. Denuncie!

Como as baratas são usadas com fins medicinais no mundo.

 Um interessante trabalho desenvolvido na Universidade Estadual de Feira de Santana, na Bahia levantou dados muito interessantes sobre o uso de animais, especificamente insetos, no tratamento de diversas doenças.

A pesquisa foi feita em uma cidade pequena chamada Pedra Branca e uma grande quantidade de informações foi obtida demonstrando que nos locais mais remotos, onde a Saúde Pública passa de relance, seus habitantes vão construindo protocolos baseados no uso do que eles têm a mão, para tratar diversas enfermidades.

"Este artigo aborda o uso de insetos como recursos medicinais por moradores do povoado de Pedra Branca, situado no interior do estado da Bahia, nordeste do Brasil. O estudo foi realizado entre fevereiro e maio de 2001, por meio de entrevistas abertas com 52 informantes, de ambos os sexos, com idades acima de 30 anos.

A importância relativa (IR), uma medida de versatilidade, foi utilizada para estimar o valor de cada recurso entomoterapêutico. Ao todo, foram identificados 27 tipos de insetos empregados no tratamento de doenças e sintomas localmente reconhecidos. A ordem Hymenoptera destacou-se, com 12 tipos de insetos representados.

O registro do uso medicinal de insetos nesta comunidade representa uma contribuição significativa para o conhecimento sobre a zooterapia. Recomenda-se a realização de estudos bioquímicos e farmacológicos com o objetivo de desenvolver novas drogas que contribuam para a melhoria da saúde humana."

O artigo contém uma tabela com todos os detalhes das espécies mais utilizadas e sua finalidade. Como estamos num blog que fala de pragas urbanas, o uso de baratas foi bastante surpreendente, tanto no Brasil como oem outros países.



Para uma breve discussão sobre a importância dos recursos entomoterapêuticos, são apresentados exemplos de insetos com potencial de uso na medicina popular praticada no povoado de Pedra Branca. Entre as baratas, os entrevistados mencionaram duas espécies: a barata comum (Periplaneta americana) e a carocha (Eurycotis manni Rehn, 1916). A barata comum, quando torrada e triturada, é utilizada no preparo de remédios prescritos para tratar bronquite asmática, dor de ouvido, embriaguez, asma, epilepsia, feridas provocadas por estrepes e furúnculos. Em pedaços, é usada para aliviar asma e cólicas menstruais. Já a carocha é indicada para dores de cabeça, sendo recomendada a inalação do cheiro do inseto ainda vivo.

O uso medicinal de baratas tem registros históricos antigos. Plínio, o Velho, já no século I d.C., mencionava que a gordura de uma “Blatta”, triturada com óleo de rosas, era eficaz no tratamento de dores de ouvido (Carrera, 1993). No Brasil do século XVIII, Sampaio (1789 apud Nomura, 1998) descreveu o uso de P. americana: “Torrefacta, e em pó dada em qualquer licor he hum bom anticolico. Tambem aproveita nos affectos asmaticos cozida em agoa commua, e dado o cozimento a beber ao enfermo repetidas vezes”. Na medicina tradicional da Amazônia, o pó dessa barata, dissolvido em vinho, aguardente ou mesmo em água, é utilizado para retenção de urina, cólicas renais e crises de asma (Figueiredo, 1994). Meyer-Rochow (1978/1979) relata que, em partes da Indonésia, baratas assadas são consumidas para o tratamento da asma, e que o povo Yolnu, no norte da Austrália, aplica uma poção de baratas esmagadas sobre pequenos cortes como tratamento.

Para os interessados em ler todo o trabalho , seguem abaixo as informações para localização na internet.

Utilização medicinal de insetos no povoado de Pedra Branca, Santha Terezinha, Bahia, Brasil, de Eraldo Medeiros Costa Neto   e Josue Marques Pacheco, aceito para publicação em 09.07.2004.

Depto de Ciências Biológicas. Universidade Estadual de Feira de Santana

https://periodicos.ufsc.br/index.php/biotemas/article/view/21470/19426






Lagartixas: aliadas discretas no controle de pragas

Ter uma lagartixa em casa pode parecer incômodo à primeira vista, mas, na verdade, é um sinal positivo para quem se preocupa com o equilíbrio ecológico do ambiente doméstico. Esses pequenos répteis, bastante comuns em todo o Brasil, são predadores naturais de baratas, pernilongos, mosquitos, escorpiões e até pequenas aranhas.




A lagartixa-doméstica-tropical, também conhecida como lagartixa de parede, é um pequeno réptil bastante comum nas residências brasileiras. Seu nome científico é Hemidactylus mabouia — uma junção de termos do grego e de línguas indígenas: hemi (metade), dactylos (referente às lamelas dos dedos) e mabouia, palavra que remete a medo ou repulsa, originada de tribos nativas das Américas.

Apesar do nome exótico e da reação negativa que algumas pessoas ainda têm, essa lagartixa é inofensiva e desempenha um papel importante no controle de insetos dentro de casa.

Sua presença contribui para o controle biológico de pragas, ajudando a reduzir a necessidade de inseticidas químicos — que, além de afetarem o meio ambiente, também podem ser prejudiciais à saúde humana.

Apesar da aparência que assusta algumas pessoas, as lagartixas são completamente inofensivas. Não transmitem doenças, não possuem veneno e não atacam humanos. “São animais tímidos, que evitam o contato com as pessoas. Costumam sair à noite, em busca de alimento. Quando encontramos uma lagartixa em casa, é sinal de que o ambiente está funcionando como um pequeno ecossistema equilibrado”, explica o herpetólogo André Lima, da Universidade Federal de Goiás.

Elas também são altamente adaptáveis aos centros urbanos e se aproveitam da iluminação artificial para caçar insetos. Por isso, é comum vê-las perto de lâmpadas. Essa convivência pacífica e benéfica torna as lagartixas verdadeiras aliadas da saúde pública, principalmente em locais com incidência de doenças transmitidas por mosquitos, como dengue, zika e chikungunya.

Mais do que tolerá-las, aprender a conviver com as lagartixas pode ser uma ótima oportunidade de promover a educação ambiental, especialmente entre as crianças. “Muitos medos vêm da falta de informação. Ao compreendermos o papel ecológico das lagartixas, passamos a respeitá-las e até valorizá-las”, afirma André Lima.

Na próxima vez que vir uma lagartixa na parede, pense duas vezes antes de expulsá-la. Ela pode estar trabalhando silenciosamente para manter sua casa mais segura e saudável.

Fonte: adaptação do texto no site: https://www.jornalopcao.com.br/

PESTICIDAS E A SUA SAÚDE

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