Doença de Chagas: como é transmitida, como deve ser tratada e o que fazer para evitar
DOCUMENTAÇÃO – UM CASO SÉRIO - primeira parte
DOCUMENTAÇÃO – UM CASO
SÉRIO
Parte 1
Vamos falar sobre documentação a partir dessa publicação. Esse assunto está muito ligado às empresas que possuem Unidades de Alimentação e Nutrição (UANs) assim como o comércio de alimentos em geral, incluindo restaurantes, cafés, padarias, supermercados.. É sabido que analisar documentação relativa ao serviço de controle de pragas não é tão simples como parece e muitas vezes alguns detalhes escapam, o que pode render ao responsável pelo gerenciamento do serviço uma grande dor de cabeça.
Um caso clássico
Uma determinada empresa foi atendida por uma prestadora de serviços de controle de pragas que não colocou o número de seu registro no certificado de aplicação o que impossibilita uma investigação adequada no caso de uma não conformidade grave. O número de registro da empresa junto à autoridade sanitária competente é um requisito primordial para a prestação desse serviço.
Em outra situação a empresa contratada lançou em seu certificado um número de registro de outro Estado que não pode ser aceito de forma alguma, já que quem dá a autorização de funcionamento é o Município ou o Estado e as licenças em geral têm somente validade dentro do Estado de origem da empresa prestadora.
Estas e outras irregularidades são observadas no dia a dia e o esclarecimento e orientação de conformidade com a legislação pode evitar aborrecimentos.
Alguns Municípios têm solicitado inclusive a Licença dos Veículos que transportam os produtos e os aplicadores. Isso não é regra geral, mas é uma exigência razoável já que a forma como os produtos químicos são transportados são regulados por lei federal e, em muitos estados, por regulamentos e leis estaduais.
Durante o processo de legalização da empresa controladora o Município ou o Estado exigem uma série de documentos; além do que a empresa passa por um processo de fiscalização inicial das atividades e é visitada anualmente.
Constam da Licença de Funcionamento informações que permitem ter uma visão mais clara da empresa. O nome e formação do Responsável Técnico são dados importantes para quem contrata esse serviço. O RT, de acordo com as novas resoluções e portarias tem funções destacadas na empresa e deve estar disponível o tempo todo para responder à questões técnicas internas e externas. Desconfie de empresas cujo RT nunca está presente!!!! Exija também uma cópia do Termo de Responsabilidade que é emitido pela mesma autoridade sanitária.
Segundo
informações da própria Vigilância Sanitária a Licença de Funcionamento, assim
como qualquer documento, pode ser falsificada. Por isso, verifique junto à
autoridade sanitária que emitiu a Licença se o registro é real. Atualmente a
Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo mantém um cadastro (SIVISA)
atualizado de todas as empresas licenciadas e qualquer alteração ou não
conformidade pode ser detectada pelo Sistema.
Verifique se a data da Licença está atualizada. Não valem Licenças do ano anterior. Nesse meio tempo, a empresa pode ter sido desautorizada a operar e o consumidor paga a conta. Há casos em que a autoridade fornece uma única Licença e só renova anualmente mediante o pagamento das taxas. Nesse caso o consumidor deve exigir uma comprovação de que a empresa está legalizada que pode ser uma cópia do pagamento das taxas anuais ou uma declaração do próprio município.Isto é válido para os veículos de transporte, também.
Peça também um comprovante de "residência" da empresa controladora, que pode ser uma conta de luz ou de água. Assim, é possível checar os dados da empresa com os que constam no Alvará ou Licença.
Caso esteja tudo OK existem ainda algumas etapas a serem vencidas que serão tratadas nos proximos artigos.
Lucia Schuller
Bióloga e Mestre e Saúde Pública
O que é o "CHUMBINHO", um veneno que constantemente é usado para matar cachorros e gatos e também pessoas.
Esse texto foi fornecido pela Anvisa e é de interesse geral
A COMPRA E VENDA DE CHUMBINHO É CRIME. DENUNCIE!!
Escreva para a Ouvidoria da Anvisa, através do e-mail ouvidoria@anvisa.gov.br ou para a Gerência Geral de Toxicologia da Anvisa (toxicologia@anvisa.gov.br). Seus dados serão mantidos
Perguntas
Freqüentes – Chumbinho
É um
produto clandestino, irregularmente utilizado como raticida. Não possui
registro na Anvisa, nem em nenhum outro órgão de governo.
R.:
Geralmente sob a forma de um granulado cinza escuro ou grafite (“cor de
chumbo”).
R.: Não.
Trata-se de um produto ilegal que não deve ser utilizado sob nenhuma
circunstância.
R.: Em
geral, trata-se de venenos agrícolas (agrotóxicos), de uso exclusivo na lavoura
como inseticida, acaricida ou nematicida, desviado do campo para os grandes
centros para serem indevidamente utilizados como raticidas. Os agrotóxicos mais
encontrados nos granulados tipo ‘chumbinho’ pertencem ao grupo químico dos
carbamatos e organofosforados, como verificado a partir de análises efetuadas
em diversas cidades do país. O agrotóxico aldicarbe figura como o preferido
pelos contraventores, encontrado em cerca de 50 % dos ‘chumbinhos’ analisados.
Outros agrotóxicos também encontrados em amostras analisadas de ‘chumbinho’ são
o carbofurano (carbamato), terbufós (organofosforado), forato
(organofosforado), monocrotofós (organofosforado) e metomil (carbamato). A escolha
da substância varia de região para região do país.
R.:
Quadrilhas de contraventores, que adquirem o produto de forma criminosa
(através de roubo de carga, contrabando a partir de países vizinhos ao Brasil
ou desvio das lavouras), fracionam e/ou diluem e revendem no comércio informal.
Algumas casas agrícolas irresponsáveis também comercializam ‘às escondidas’
este veneno, agindo igualmente de forma clandestina.
R.: Não.
Esses venenos agrícolas possuem elevada toxicidade aguda, de forma que a morte
do roedor ocorre poucos instantes após sua ingestão, o que dá a falsa impressão
ao consumidor de que o produto é eficiente. Mas as colônias de ratos não
funcionam assim. Normalmente o animal mais idoso ou doente é enviado para
‘provar’ o novo ‘alimento’; como ele morre em seguida, os demais ratos observam
e fogem. Ou seja, o problema não foi resolvido, os roedores apenas passaram
para a vizinhança e continuam circulando pela região. Ao contrário, os
raticidas legais, próprios para esse fim e com registro na ANVISA (denominados
cumarínicos), agem como anti-coagulantes e a morte do animal é mais lenta,
fazendo com que todos os ratos da colônia ingiram também o veneno, assim exterminando-os
de forma mais eficiente, ainda que leve mais de tempo, apenas requerendo um
pouco de paciência e disciplina por parte do usuário.
- Quais são os perigos do uso irregular/ilegal de ‘chumbinho’ e os sintomas de intoxicação?
R.: Sendo
um produto clandestino/sem registro, ele não possui rótulo contendo orientações
quanto ao seu manuseio e segurança, informações médicas, telefones de
emergência e, o que é ainda mais grave, a descrição do agente ativo bem como
antídotos em caso de envenenamento, o que é fundamental para orientação do profissional
de saúde nesse momento. Os sintomas típicos de intoxicação por ‘chumbinho’ são
as manifestações de síndrome colinérgica e ocorrem em geral em menos de 1 h
após a ingestão, incluindo náuseas, vômito, sudorese, sialorréia (salivação excessiva),
borramento visual, miose (contração da pupila), hipersecreção brônquica, dor
abdominal, diarréia, tremores, taquicardia, entre outros.
gratuita em
todo território nacional e você será atendido e orientado por um profissional
de saúde especializado
a Gerência
Geral de Toxicologia da Anvisa (toxicologia@anvisa.gov.br). Seus dados serão mantidos
Moscas podem contaminar alimentos com bactérias que elas carregam? Veja a evidência.
Uma importante pesquisa feita no Japão na Escola de Medicina Veterinária analisou através de ensaios praticos se moscas domésticas podem contaminar alimentos. Teoricamente isso já é bastante conhecido, porém esse ensaio assegurou ainda mais a necessidade de evitar o contato, mesmo que breve, das moscas com os alimentos. Abaixo texto do resumo traduzido do trabalho publicado em 2019. Para os que queiram ler o trabalho inteiro a fonte está no final do resumo.
"As moscas desempenham um papel fundamental como vetores na transmissão de várias bactérias e representam risco de contaminação bacteriana para os alimentos.
Para avaliar a contaminação bacteriana relacionada ao tempo e à concentração de alimentos por moscas domésticas com base em sua atração pelo alimento, determinamos o número de Escherichia coli resistentes a antimicrobianos alimentados transferidos de moscas domésticas para alimentos, mistura de açúcar e leite, maçã e bolo. As moscas domésticas contaminaram os alimentos com a E. coli em 5 min, e as bactérias estavam presentes em grande número na maçã e no bolo (3,3 × 103 e 3,5 × 104 UFC/g de alimento, respectivamente).
Além disso, o número de E. coli alimentadas com os alimentos aumentou com o tempo, subindo para 3,6 × 104-1,7 × 105 UFC / g. Mostramos que o nível de contaminação de alimentos causado por moscas domésticas depende da concentração de bactérias que as moscas domésticas carregam, do tempo de contato com o alimento e da atração das moscas pelo alimento.
Ref.:Contaminação de alimentos com bactérias Akira Fukuda†, Masaru Usui, Chinami Masui e Yutaka Tamura Laboratório de Microbiologia e Segurança Alimentar de Alimentos, Escola de Medicina Veterinária, Universidade Rakuno Gakuen, 582 Midorimachi, Bunkyodai, Ebetsu, Hokkaido 069-8501, Japão
VETORES E O AMBIENTE DE TRABALHO
Segurança é a palavra chave. Mas que tipo de relação pode existir entre segurança no ambiente de trabalho e os vetores urbanos? Muito se tem discutido a respeito da real influência que insetos e roedores tem sobre a saúde e segurança do trabalhador. Ainda questionamos sobre a real necessidade de se “investir” em um serviço de controle de pragas. Na presença das primeiras dificuldades econômicas, geralmente é o item que é imediatamente cortado para redução de despesas. Ou pior, no intuito de se executar um serviço com preços mais módicos, o trabalho é entregue a um funcionário da própria empresa, alguém da faxina talvez, que nenhum treinamento possui para executar tal tarefa. Esta pessoa passa a ser responsável pela aplicação de produtos tóxicos e consequentemente, pela segurança de todos que utilizam aquela área. A partir desta nova incumbência, a questão não é mais somente a presença de pragas mas modifica-se e é agravada pelo risco no uso de produtos quimicos.
Em 1972 uma médica inglesa, Beatson, observou em um hospital a presença de pequenas formigas que se infiltravam dentro de medicamentos, materiais esterilizados, equipamentos para aplicação de soro, etc. e curiosamente, resolveu avaliar microbiologicamente, o que aqueles insetos poderiam eventualmente estar transportando. Ela surpreendeu-se com a grande quantidade de microrganismos patogênicos encontrados nas diversas partes do corpo destas,aparentemente inofensivas, formiguinhas. Esta conclusão levou outros países a também iniciarem estudos e a chegarem a conclusões semelhantes à da Dra Beatson a respeito do risco à saúde que estas formiguinhas representam. O nosso ambiente de trabalho pode ser um hospital, um restaurante, um escritório, um galpão de fábrica, ou até mesmo a nossa casa. Em todos estes ambientes as pragas vão ter ou não condições de se abrigar, proliferar e por consequência espalhar microrganismos e aumentar as chances de entrarmos em contato com eles. Assim, quanto melhor fôr o ambiente de trabalho do ponto de vista de higiene, limpeza, manutenção e ausência de pragas, melhor para nós, para nossa saúde e melhor será o nosso rendimento. Estaremos doentes menos vezes e produziremos mais.
Entretanto, o trabalho de controle de pragas não é mais uma
mera aplicação de “venenos” com os seus consequentes riscos à saúde pública. É,
muito mais do que isto. É um trabalho de observação, de integração, de
conscientização. Todos devem estar envolvidos, cliente e parceiro, nesta
batalha. A utilização de produtos químicos é somente uma das etapas do
controle. Esta nova visão chama-se Controle
Integrado de Pragas e segue de
encontro com as posturas que estão sendo adotadas modernamente em relação ao
meio ambiente. Um pesticida mal utilizado pode contaminar o ambiente urbano e
as pessoas que lá vivem. Com certeza não é a única solução de nossos problemas
com pragas.
Lucia Schuller
Bióloga
Mestre em Saúde Pública
É verdade que os mosquitos picam algumas pessoas mais do que outras?
Com certeza alguém já esteve em alguma festa ao ar livre ou num churrasco e notou o aumento de mosquitos. Mas Vc sabia que eles são insetos seletivos? Isto é, algumas pessoas têm mais probabilidade de serem picadas do que outras.
Existem alguns fatores que podem contribuir para que isso aconteça. Segundo um estudo do Journal of Medical Entomology, os mosquitos pousam duas vezes mais em pessoas com sangue tipo O do que aquelas com sangue tipo A. Os pesquisadores notaram que isso tem a ver com as secreções que produzimos, que alertam os mosquitos sobre o tipo de sangue.
Estilo de vida ou outros fatores de saúde também podem ter um papel determinante, disse Melissa Giliang, dermatologista da Cleveland Clinic.
“Se a temperatura corporal estiver mais alta, se estiver a movimentar-se ou se estiver a beber álcool, será um alvo para os mosquitos”, diz a especialista. “Estar grávida ou estar acima do peso também aumenta a taxa metabólica”, pode ler-se na Health Digest.
Fonte: https://www.noticiasdecoimbra.pt/e-por-isto-que-os-mosquitos-picam-algumas-pessoas-mais-do-que-outras/#goog_rewarded
Repelente para mosquitos é invenção de uma brasileira Startup
Vc odeia passar repelente no corpo? Fernanda Checchinato, fundadora e CEO da Aya Tech criou um spray contra mosquitos que é aplicado em roupas e janelas e dura até dois meses.
E se, ao invés de passar um repelente no corpo, fosse possível aplicar o produto na roupa, cortina, ou até mesmo no batente da porta? E, assim, evitar picadas de mosquito, como o da dengue?
É uma solução assim que Fernanda Cecchinato, 49, mãe de duas meninas, cientista e CEO da Aya Tech, passou cinco anos desenvolvendo. Lançado em 2015, o Protec é o primeiro repelente de superfícies do país capaz de matar o Aedes Aegypti — espécie causadora da dengue, chikungunya, febre amarela e zika.
O produto, que vem em formato spray, também oferece proteção contra picadas de pernilongos, borrachudos, pulgas e carrapatos, resistindo por até 20 lavagens ou 60 dias (dependendo da maneira como é lavado e higienizado).
COM TESTES EM AMBIENTE CONTROLADO, ELA LITERALMENTE DEU O SANGUE PELA CIÊNCIA
A empreendedora conta que mais de 10 mil mosquitos foram utilizados para chegar na fórmula ideal.
“Eu literalmente doei o meu sangue pra ciência”, brinca. Isso porque, para testar a eficácia, Fernanda precisou criar um ambiente controlado em laboratório, evitando que o inseto fosse exposto a predadores e outros fatores naturais.
“Nós colocávamos o braço dentro da gaiola e deixávamos eles nos picarem. Observamos que cerca de 99% das fêmeas que tentaram picar o tecido com o princípio ativo do Protec se afastaram”
Funciona da seguinte forma: quando o mosquito se aproxima de alguém vestindo uma roupa tratada com o Protec, ele detecta o produto através de suas antenas, começa a se sentir desnorteado e se afasta, descreve Fernanda. E se mesmo assim o inseto insistir em picar, ele absorve o componente — e morre paralisado.
O princípio ativo do repelente é resultado de uma combinação da permetrina, composto químico sintético extraído da flor crisântemo, e água — o que permite sua fixação em tecidos e superfícies. O produto, segundo Fernanda, é antialérgico e não possui cheiro, sendo seguro para crianças, idosos, grávidas e pets.
A IDEIA DA AYA TECH SURGIU DEPOIS DE UM PRESENTE INUSITADO DO SEU PRIMEIRO CHEFE
Formada em Engenharia Química pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 1999, Fernanda é mestre e doutora em Ciência e Engenharia de Materiais UFSC e pelo Laboratório CNRS da Universidade de Lyon (França).
Além disso, possui um curso de especialização em materiais inorgânicos e metálicos na Japan International Cooperation Agency (JICA) e é autora de seis patentes de inovação tecnológica.
Dar aulas não fazia parte dos seus planos. E apesar de expressiva, essa bagagem acadêmica dificultou sua entrada no mercado de trabalho:
“Eu era considerada muito qualificada para as vagas. Queria continuar fazendo pesquisa, mas no mundo empresarial. Precisei tirar muita coisa do meu currículo para conseguir meu primeiro emprego”
Sua primeira experiência profissional foi em uma metalúrgica, onde trabalhou com o desenvolvimento de eletrodomésticos pessoais, como chapinhas e secadores de cabelo.
“Me lembro que, quando cheguei lá, pensei: ‘Nossa, mas eu nem uso isso’. No fim, acabei descobrindo que esse mercado era imenso e que milhões de mulheres usavam esses produtos”, diz Fernanda. “Foi aí que comecei a inovar, desenvolvendo chapinhas de titânio, versões que cabiam na palma da mão, secadores com diferentes cores e tintas especiais.”
Ela trabalhou na empresa por dois anos até que um dia recebeu um presente inusitado do seu chefe.
“Ele me deu uma bandana repelente de insetos. Achei o máximo, especialmente porque sou super alérgica a picadas de pernilongo. Fiquei tão encantada que comecei a pesquisar como poderia fazer algo parecido”
O que era uma lembrança de viagem acabou se tornando uma ideia de negócio. Junto a Noemi, uma colega de trabalho na época, Fernanda decidiu pedir as contas e abrir sua própria empresa.
Com 600 mil reais e um bocado de ousadia, elas começaram a produzir camisetas repelentes. E assim surgiu a Aya Tech.
A TRANSIÇÃO DO MUNDO DA PESQUISA PARA O EMPREENDEDORISMO TROUXE DESAFIOS
Logo de cara, elas se depararam com vários desafios. “Eu sou engenheira química, não costureira. A costura da camiseta vinha torta, a gola errada. A gente não tinha nenhum know-how de empreendedorismo e cometemos muitos erros no início.”
Um deles foi criar uma grade de produtos enorme, com diversos modelos e tamanhos que variavam de bebê até adulto. Sem falar nas inúmeras opções de estampas e cores. “Quando acabava um modelo, a gente tinha que mandar fazer um monte”, diz Fernanda. “Não conseguimos dar conta.”
Outra dificuldade, talvez maior do que a inexperiência com o ecossistema empreendedor, era convencer as pessoas — e o mercado brasileiro — de que o produto e o modelo de negócio funcionavam.
“Em 2010, a ideia de uma camiseta repelente de insetos era muito moderna. Além disso, na época nem se falava nada sobre startups, não existia isso”
Ao invés de abrir uma sede, as fundadoras optaram por trabalhar de casa e terceirizar o trabalho por meio de parcerias, algo quase impensável há 14 anos.
Aos poucos, a venda das camisetas começou a crescer e os clientes começaram a pedir por outros produtos capazes de repelir insetos, como calças, macacões e cortinas.
Fernanda explica que essas demandas acenderam um alerta:
“Percebemos que não dava para continuar com esse nível de personalização. Inicialmente, a aplicação do repelente era feita na tinturaria, direto no rolo de tecido; precisávamos de um produto que a própria pessoa pudesse aplicar”
Foi então que elas decidiram desenvolver um produto em aerossol e, mais uma vez, esbarraram em outro desafio: a regulamentação.
UM “NÃO” DA ANVISA ACABOU IMPULSIONANDO A CRIAÇÃO DE NOVOS PRODUTOS
Qualquer produto que possa afetar a saúde humana, como medicamentos, cosméticos, alimentos e produtos de higiene pessoal, precisa passar pela aprovação da Anvisa para ser comercializado.
O protótipo da Aya Tech acabou sendo barrado pela agência por usar o princípio ativo em formato aerossol. Essa situação forçou a dupla a adaptar a tecnologia para o spray, criando assim o Protec.
“Hoje temos dois produtos: o Bite Block, que é um aerossol, e o Protec, que é um spray para aplicação em tecidos. Embora os produtos sejam semelhantes em seus princípios ativos, eles funcionam de maneiras diferentes dependendo de onde são aplicados”
Outro problema era que os repelentes não se enquadravam nem como inseticidas nem como cosméticos, gerando muita confusão.
“Embora sempre quiséssemos registrar corretamente os nossos produtos, não havia uma categoria específica para eles na época. Isso levou a agência a desenvolver uma nova RDC [Resolução de Diretoria Colegiada] para que pudéssemos continuar vendendo.”
Foram quatro anos, de 2015 a 2019, até a resolução sair. Só então a empreendedora conseguiu entrar com o pedido de registro dos produtos na Anvisa.
Neste meio tempo, a startup precisou parar as vendas dos produtos, o que criou um hiato no negócio. Além disso, sua parceira Noemi decidiu sair da empresa e retornar ao mercado tradicional. Fernanda conta que foi um período difícil. “Precisei repensar e reorganizar minha vida e a estratégia da empresa.”
Apesar dos desafios, a pesquisadora tenta ver o episódio pelo lado positivo.
“Se não fosse esse empecilho com a Anvisa eu só teria feito os repelentes. Isso me forçou a pesquisar e criar coisas novas”
Buscando diversificar o negócio e gerar receita, Fernanda desenvolveu uma série de produtos, como bactericidas, fungicidas e antissépticos. Além disso, criou uma linha de banho infantil lúdica com xampu, condicionador e sabonete em formato slime, que colorem a pele durante o banho.
O registro do Bite Block e o Protec foram obtidos em 2021 e 2022, respectivamente, e são os primeiros repelentes do mundo certificados no Brasil pela Anvisa.
AS ACELERAÇÕES AJUDARAM A LAPIDAR O NEGÓCIO E TRAZER NETWORKING E VISIBILIDADE
Desde sua fundação, a Aya Tech já recebeu alguns prêmios e reconhecimentos.
Em 2016, a startup participou do programa de aceleração Braskem Labs. Além disso, a empreendedora já participou de três edições do StartOut Brasil, programa de internacionalização de startups realizado pelo Sebrae, em parceria com a Apex-Brasil e Anprotec.
Em 2019, a Aya Tech também foi destaque, tornando-se a primeira startup brasileira a ser selecionada para o programa de aceleração da Paris&Co, agência de desenvolvimento econômico e inovação da capital francesa.
Hoje, o consumidor final pode adquirir os produtos em farmácias, lojas infantis e de departamento, bem como no e-commerce da startup, através do site institucional.
Já no mercado B2B, as vendas se estendem para outros países, com exportação para Austrália, Colômbia, Equador, Estados Unidos, França e Peru.
MESMO COM NOVOS PRODUTOS EM DESENVOLVIMENTO, A CIENTISTA E CEO PREFERE MANTER OS PÉS NO CHÃO
No último ano, a Aya Tech faturou 300 mil reais. A projeção é de alcançar 1 milhão nos próximos 12 meses, com a campanha iniciada em maio deste ano que visa o cadastramento de mais 200 novos pontos de venda em todo o país.
Entre os novos itens em fase de desenvolvimento que deverão ser incorporados em breve ao portfólio estão um repelente para aplicação em couro e um produto para sapatos para portadores de epidermólise bolhosa (doença hereditária e genética rara que afeta a pele e as mucosas, causando bolhas e pequenas lesões).
Apesar do otimismo, Fernanda procura manter os pés no chão:
“É muito caro lançar produtos como os que o desenvolvo no mercado. Para se ter uma ideia, o laudo de um bactericida custa cerca de 200 mil reais”
Até aqui, a cientista e CEO optou por abrir mão de buscar investimento externo. Assim, empreendendo no esquema bootstrapping, apenas com recursos próprios, cada passo precisa ser certeiro:
“Eu só desenvolvo um novo produto quando a empresa possui recursos próprios para investir. Um produto tem que dar lucro o suficiente para bancar o próximo.”
Fonte: https://www.projetodraft.com/
A importância do Controle de Pragas em Escolas e Creches: E essencial proteger a Saúde e Bem-estar das criancas
Formigas realizam amputações de membros em camaradas feridos para salvar suas vidas
WASHINGTON (Reuters) - Amputações de membros são realizadas por cirurgiões quando uma lesão traumática, como um ferimento de guerra ou um acidente de veículo, causa grande destruição de tecidos ou em casos de infecção ou doença grave. Mas os humanos não estão sozinhos em fazer esses procedimentos.
Uma nova pesquisa mostra que algumas formigas realizam amputações de membros em companheiros feridos para melhorar suas chances de sobrevivência. O comportamento foi documentado em formigas carpinteiras da Flórida - nome científico Camponotus floridanus - uma espécie marrom-avermelhada com mais de 1,5 cm de comprimento que habita partes do sudeste dos Estados Unidos.
Essas formigas foram observadas tratando membros feridos de companheiros de ninho, limpando a ferida usando suas peças bucais ou amputando mordendo o membro danificado. A escolha do cuidado dependeu da localização da lesão. Quando estava mais acima na perna, eles sempre amputavam. Quando estava mais abaixo, eles nunca amputavam.
"Neste estudo, descrevemos pela primeira vez como um animal não humano usa amputações em outro indivíduo para salvar sua vida", disse o entomologista Erik Frank, da Universidade de Würzburg, na Alemanha, principal autor da pesquisa publicada na terça-feira na revista Current Biology.
"Estou convencido de que podemos dizer com segurança que o 'sistema médico' das formigas para cuidar dos feridos é o mais sofisticado do reino animal, rivalizando apenas com o nosso", acrescentou Frank.
Esta espécie nidifica em madeira podre e defende sua casa vigorosamente contra colônias de formigas rivais.
"Se as brigas começarem, existe o risco de ferimentos", disse Frank.
Os pesquisadores estudaram lesões na parte superior da perna, no fêmur, e na parte inferior, a tíbia. Tais lesões são comumente encontradas em formigas selvagens de várias espécies, sustentadas em brigas, durante a caça ou por predação por outros animais.
As formigas foram observadas em condições de laboratório.
"Eles decidem entre amputar a perna ou passar mais tempo cuidando da ferida. Como eles decidem isso, não sabemos. Mas sabemos por que o tratamento é diferente", disse Frank.
Tem a ver com o fluxo de hemolinfa, o líquido azul-esverdeado equivalente ao sangue na maioria dos invertebrados.
"Lesões mais abaixo na perna têm um fluxo de hemolinfa aumentado, o que significa que os patógenos já entram no corpo depois de apenas cinco minutos, tornando as amputações inúteis no momento em que poderiam ser realizadas. Lesões mais acima na perna têm um fluxo de hemolinfa muito mais lento, dando tempo suficiente para amputações oportunas e eficazes ", disse Frank.
Em ambos os casos, as formigas primeiro limparam a ferida, provavelmente aplicando secreções de glândulas na boca enquanto também provavelmente sugavam a hemolinfa infectada e suja. O processo de amputação em si leva pelo menos 40 minutos e às vezes mais de três horas, com mordidas constantes no ombro.
Com amputações após uma lesão na parte superior da perna, a taxa de sobrevivência documentada foi de cerca de 90-95%, em comparação com cerca de 40% para lesões não atendidas. Para lesões na perna em que apenas a limpeza foi realizada, a taxa de sobrevivência foi de cerca de 75%, em comparação com cerca de 15% para lesões não atendidas.
O tratamento de feridas foi documentado em outras espécies de formigas que aplicam uma secreção glandular antibiótica eficaz em companheiros de ninho feridos. Esta espécie não possui essa glândula.
As formigas, que têm seis patas, são totalmente funcionais depois de perder uma.
Foram formigas fêmeas observadas fazendo esse comportamento.
"Todas as formigas operárias são fêmeas. Os machos desempenham apenas um papel menor nas colônias de formigas - acasalam uma vez com a rainha e depois morrem ", disse Frank.
Então, por que as formigas fazem essas amputações?
"Esta é uma pergunta interessante e coloca em questão nossas definições atuais de empatia, pelo menos até certo ponto. Não acho que as formigas sejam o que chamaríamos de 'compassivas'", disse Frank.
"Há uma razão evolutiva muito simples para cuidar dos feridos. Economiza recursos. Se eu puder reabilitar um trabalhador com relativamente pouco esforço que se tornará novamente um membro produtivo ativo da colônia, há um valor muito alto em fazê-lo. Ao mesmo tempo, se um indivíduo estiver gravemente ferido, as formigas não cuidarão dele, mas o deixarão para trás para morrer", acrescentou Frank.
Reportagem de Will Dunham, edição de Rosalba O'Brien
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