Autodisseminação - mosquitos agindo como ferramentas de eliminação

Um projeto desenvolvido por pesquisadores do Instituto Leônidas e Maria Deane (Fiocruz Amazônia) e do Instituto René Rachou (Fiocruz Minas) junto à secretaria municipal de Saúde de Belo Horizonte mostra que a “autodisseminação” de larvicidas por mosquitos urbanos pode ajudar no controle das doenças transmitidas por esses mesmos mosquitos, como a dengue. O projeto distribuiu uma média de 2.500 ‘Estações disseminadoras de larvicida’ (EDLs) em nove bairros de Belo Horizonte ao longo de dois anos. 

A intervenção reduziu a incidência de dengue em 29% nesses bairros, e em 21% nos bairros adjacentes, em comparação com os 258 restantes da cidade. 




Os resultados foram publicados, na última quinta-feira 19/ 9, na revista The Lancet Infectious Diseases. Em julho, a tecnologia de EDLs foi oficialmente considerada pelo Governo Federal como uma das novas estratégias nacionais para o controle dos principais vetores da dengue, Aedes aegypti e Aedes albopictus.

https://portal.fiocruz.br/

Fonte.: texto extraído de artigo publicado no Portal FioCruz - 


A expressão "situações extremas exigem medidas desesperadas" é bem conhecida.

A expressão "situações extremas exigem medidas desesperadas" é familiar. No contexto ecológico, a ameaça de extinção leva a ações drásticas, como a injeção de material radioativo em chifres de rinocerontes ou a caça de gatos selvagens. Agora, um plano radical da África do Sul visa salvar os albatrozes da Ilha Marion.

Crise na Ilha Marion

Em 6 de julho de 2024, pesquisadores na Ilha Marion, entre a África do Sul e a Antártida, encontraram um filhote de albatroz-errante gravemente ferido, vítima de ratos domésticos introduzidos no século XIX. Esses roedores, agora uma ameaça, se alimentam de aves marinhas, colocando em risco uma espécie já em extinção.

Projeto "Marion Sem Ratos" (MFM)

Com um orçamento de US$ 26 milhões, o projeto "Marion Sem Ratos" pretende erradicar um milhão de roedores na ilha, distribuindo veneno por helicópteros. "Prevemos que a maioria das aves marinhas da Ilha Marion será extinta localmente nos próximos 30 a 100 anos se os ratos não forem eliminados", afirma Anton Wolfaardt, cientista responsável pelo projeto.

Desafios e Impacto

Marion, uma ilha vulcânica a 2.000 km da Cidade do Cabo, era um santuário natural até a chegada dos ratos. Com as mudanças climáticas favorecendo sua reprodução, os roedores desenvolveram técnicas brutais de ataque, especialmente contra filhotes de aves. A erradicação completa será desafiadora, mas necessária para evitar a extinção local das aves.

O plano envolve distribuir veneno por toda a ilha até 2027, garantindo que cada rato seja eliminado. A introdução de gatos na década de 1940, para controlar os ratos, piorou a situação, resultando na morte de 455 mil aves por ano. A erradicação dos gatos só foi concluída em 1991.

Conservation Campaign - Mouse-Free Marion (mousefreemarion.org)

Mosquitos são direcionados aos hospedeiro através de detectores neurais de infra vermelho

 

As doenças transmitidas por mosquitos afetam centenas de milhões de pessoas anualmente e afetam desproporcionalmente o mundo em desenvolvimento. 



Uma espécie de mosquito, o Aedes aegypti, é o principal vetor de vírus que causam dengue, febre amarela e zika. A atração de A. aegypti para humanos requer a integração de vários sinais, incluindo CO2 da respiração, odores orgânicos da pele e sinais visuais, todos detectados a médias e longas distâncias, e outros sinais detectados a curta distância. 

Aqui identificamos uma sugestão de que A aegypti usam como parte de seu arsenal sensorial para encontrar humanos. Demonstramos que A aegypti detectam a radiação infravermelha (IR) que emana de seus alvos e usam essas informações em combinação com outras pistas para uma navegação de médio alcance altamente eficaz. 

A detecção de infravermelho térmico requer o canal ativado por calor TRPA1, que é expresso em neurônios na ponta da antena. Duas opsinas são co-expressas com TRPA1 nesses neurônios e promovem a detecção de intensidades de IR mais baixas. 

Propomos que a energia radiante causa aquecimento local no final da antena, ativando assim receptores sensíveis à temperatura em neurônios termossensoriais. A percepção de que a radiação IR térmica é uma excelente sugestão direcional de médio alcance expande nossa compreensão de como os mosquitos são primorosamente eficazes na localização de hospedeiros.

Resumo do trabalho abaixo publicado na Revista Nature

Thermal infrared directs host-seeking behaviour in Aedes aegypti mosquitoes https://doi.org/10.1038/s41586-024-07848-5 Avinash Chandel1,2,6, Nicolas A. DeBeaubien1,2,6, Anindya Ganguly1,2, Geoff T. Meyerhof1,2, Andreas A. Krumholz3,4, Jiangqu Liu1,2, Vincent L. Salgado3,5 & Craig Montell1,2 ✉

O que é o CHUMBINHO, produto que tem causado muitas mortes no Brasil?

Chumbinho

Perguntas e Respostas

- O que é o ‘chumbinho’?

 É um produto clandestino, irregularmente utilizado como raticida. Não possui registro na Anvisa, nem em nenhum outro órgão de governo.

 - Qual é seu aspecto físico?

Geralmente sob a forma de um granulado cinza escuro ou grafite (“cor de chumbo”).

 


- Existem recomendações de segurança para a aplicação de ‘chumbinho’ como raticida?

 Não. Trata-se de um produto ilegal que não deve ser utilizado sob nenhuma circunstância.

 - Do que consiste o ‘chumbinho’? Qual a sua origem?

Em geral, trata-se de venenos agrícolas (agrotóxicos), de uso exclusivo na lavoura como inseticida, acaricida ou nematicida, desviado do campo para os grandes centros para serem indevidamente utilizados como raticidas. Os agrotóxicos mais encontrados nos granulados tipo ‘chumbinho’ pertencem ao grupo químico dos carbamatos e organofosforados, como verificado a partir de análises efetuadas em diversas cidades do país. O agrotóxico aldicarbe figura como o preferido pelos contraventores, encontrado em cerca de 50 % dos ‘chumbinhos’ analisados. Outros agrotóxicos também encontrados em amostras analisadas de ‘chumbinho’ são o carbofurano (carbamato), terbufós (organofosforado), forato (organofosforado), monocrotofós (organofosforado) e metomil (carbamato). A escolha da substância varia de região para região do país.

 - Quem “produz” e comercializa o ‘chumbinho’?

 Quadrilhas de contraventores, que adquirem o produto de forma criminosa (através de roubo de carga, contrabando a partir de países vizinhos ao Brasil ou desvio das lavouras), fracionam e/ou diluem e revendem no comércio informal. Algumas casas agrícolas irresponsáveis também comercializam ‘às escondidas’ este veneno, agindo igualmente de forma clandestina.

 - O ‘chumbinho’ é eficiente para o controle de roedores?

Não. Esses venenos agrícolas possuem elevada toxicidade aguda, de forma que a morte do roedor ocorre poucos instantes após sua ingestão, o que dá a falsa impressão ao consumidor de que o produto é eficiente. Mas as colônias de ratos não funcionam assim. Normalmente o animal mais idoso ou doente é enviado para ‘provar’ o novo ‘alimento’; como ele morre em seguida, os demais ratos observam e fogem. Ou seja, o problema não foi resolvido, os roedores apenas passaram para a vizinhança e continuam circulando pela região. Ao contrário, os raticidas legais, próprios para esse fim e com registro na Anvisa (denominados cumarínicos), agem como anti-coagulantes e a morte do animal é mais lenta, fazendo com que todos os ratos da colônia ingiram também o veneno, assim exterminando-os de forma mais eficiente, ainda que leve mais de tempo, apenas requerendo um pouco de paciência e disciplina por parte do usuário.

 - Quais são os perigos do uso irregular/ilegal de ‘chumbinho’ e os sintomas de intoxicação?

Sendo um produto clandestino/sem registro, ele não possui rótulo contendo orientações quanto ao seu manuseio e segurança, informações médicas, telefones de emergência e, o que é ainda mais grave, a descrição do agente ativo bem como antídotos em caso de envenenamento, o que é fundamental para orientação do profissional de saúde nesse momento. Os sintomas típicos de intoxicação por ‘chumbinho’ são as manifestações de síndrome colinérgica e ocorrem em geral em menos de 1 h após a ingestão, incluindo náuseas, vômito, sudorese, sialorréia (salivação excessiva), borramento visual, miose (contração da pupila), hipersecreção brônquica, dor abdominal, diarréia, tremores, taquicardia, entre outros. Em caso de intoxicação, ligue para o Disque-Intoxicação: 0800-722-6001. A ligação é gratuita em todo território nacional e você será atendido e orientado por um profissional de saúde especializado.

 A COMPRA E VENDA DE CHUMBINHO É CRIME. DENUNCIE PARA A VIGILÂNCIA SANITÁRIA MAIS PRÓXIMA!

 Estas informações foram coletadas no site da ANVISA 

Chumbinho — Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Anvisa (www.gov.br)

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