Falando de garantias de serviços

 A questão das garantias em serviços de controle de pragas é um debate antigo, muitas vezes baseado em parâmetros não realistas. 


Durante as décadas de 50, 60, 70 e 80, os inseticidas clorados, que são altamente persistentes no ambiente, permitiam oferecer garantias de seis meses a um ano. 

Embora os conceitos tenham mudado significativamente desde então, os clientes ainda se surpreendem quando não recebem uma garantia extensa. 

É compreensível que os usuários desejem o melhor serviço pelo menor custo, mas lidar com organismos vivos e ambientes em constante mudança impede a oferta de garantias fixas. 

É crucial reconhecer que dois fatores — os organismos e o ambiente — determinam o nível de infestação de um local, residencial ou não. 

Isso significa que, embora os inseticidas e raticidas desempenhem um papel importante, eles não são o elemento principal dessa equação. Devem ser aplicados com prudência e somente após eliminar as condições ambientais adversas que promovem o surgimento de pragas.

O que são os cupins e seu papel na vida urbana


Os  Cupins são insetos sociais conhecidos por viverem em colônias e por sua habilidade de consumir madeira e outros materiais à base de celulose. Eles pertencem à ordem Isoptera e são comumente chamados de "termitas" em algumas regiões. Existem diferentes espécies de cupins, e eles são amplamente distribuídos em várias partes do mundo, especialmente em regiões tropicais e subtropicais.


Características dos cupins:

- Estrutura social: Os cupins vivem em colônias organizadas, que podem conter milhares a milhões de indivíduos. Essas colônias são compostas por diferentes castas, incluindo operários, soldados e reprodutores (rei e rainha).


 - Alimentação: Eles se alimentam principalmente de madeira, papel e outros materiais que contêm celulose. Essa habilidade pode causar danos significativos em construções, móveis e plantações.


- Hábitos de vida: Algumas espécies de cupins constroem ninhos subterrâneos, enquanto outras constroem seus ninhos em árvores ou dentro de estruturas de madeira. Há também cupins que constroem montes acima do solo.




- Importância ecológica: Embora sejam considerados pragas em muitas situações, os cupins desempenham um papel importante na decomposição de matéria orgânica, reciclando nutrientes no ecossistema.

Controlar uma infestação de cupins pode ser difícil, e geralmente requer a intervenção de profissionais para identificar e eliminar a colônia.




Doença de Chagas: como é transmitida, como deve ser tratada e o que fazer para evitar


De acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), a América Latina é campeã em casos anuais de doença de Chagas: são cerca de 30 mil, com 10 mil deles resultando em mortes. Um dos motivos para essa alta taxa de letalidade é a dificuldade de diagnosticar a infecção, causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi: ela pode ser assintomática ou apresentar sintomas pouco específicos, facilmente confundidos com os de uma gripe ou resfriado. Por conta disso, a taxa de descoberta é menor que 10%.








Além do baixo índice de diagnósticos, o Ministério da Saúde destaca que, atualmente, apenas 1% das pessoas afetadas recebe tratamento. “A doença é curável, mas só se houver tratamento adequado durante a fase aguda, que é o início da infecção, mesmo em casos de transmissão congênita”, alerta a diretora do Laboratório de Ciclo Celular do Butantan, Maria Carolina Sabbaga, que estuda a manutenção do DNA nuclear de tripanosomas. 


A doença de Chagas é a principal endemia parasitária da América Latina e faz parte da lista de Doenças Tropicais Negligenciada da Organização Mundial da Saúde (OMS) porque afeta principalmente indivíduos em situação de vulnerabilidade social — sem acesso à água, alimentos ou saneamento básico de qualidade. 

 Transmissão

Também conhecida como tripanossomíase americana, a doença de Chagas é uma infecção causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, que tem como hospedeiro insetos triatomíneos, os populares “barbeiros”, “procotós”, “bicudos” ou “chupões”. No Brasil, as espécies de barbeiro Triatoma infestans e Triatoma brasiliensis são as que representam risco epidemiológico. O parasita é expelido por meio das fezes ou urina do inseto e, no corpo humano, invade as células, se desenvolve e reproduz.

Segundo o estudo Perfil epidemiológico da doença de Chagas aguda no Brasil, veiculado na revista Research, Society and Development por pesquisadores do Centro Universitário CESMAC, Universidade Tiradentes e Universidade Federal de Alagoas, o método mais expressivo de contágio é por via oral. Ou seja, por meio do consumo de alimentos contaminados por parasitos Trypanosoma cruzi oriundos de barbeiros ou, diretamente, por fezes do inseto que contenham o protozoário.

Outra forma de transmissão é a vetorial. Os barbeiros são hematófagos – precisam se alimentar de sangue para sobreviver, por isso o contágio pode acontecer no momento em que um ser humano é picado por ele: o protozoário é expelido pelas fezes ou urina do inseto, junto ao ferimento; quando a pessoa coça o local, inadvertidamente insere o protozoário na sua própria corrente sanguínea.


“Na saliva do inseto há várias substâncias que geram irritação na pele e dão início à coceira, e o ato de coçar acaba fazendo com que as fezes sejam empurradas para a ferida e iniciem a infecção”, explica o biólogo Thiago Franco, pós-doutorando do Laboratório de Ciclo Celular. 


Mulheres infectadas pelo Trypanosoma cruzi podem transmiti-lo aos seus bebês durante a gravidez ou o parto, configurando a transmissão vertical. Há também a possibilidade de contaminação via transplante de órgãos de doadores que possuam o parasita. Já na transmissão acidental, é possível se contaminar ao entrar em contato com feridas da pele ou mucosas infectadas durante manipulação laboratorial ou manejo de caça.


O barbeiro tem hábitos noturnos: se esconde durante o dia e à noite sai para se alimentar. “Por isso, é comum que esses insetos fiquem entre as frestas de casas de pau a pique, em que podem depositar seus ovos e ficar livres de predadores”, explica Thiago. Durante o sono humano, as regiões que costumam estar mais expostas são o rosto e os pés, sendo que o inseto é especialmente atraído pelas trocas de oxigênio e gás carbônico que realizamos. É justamente por ter preferência pela face na hora da picada que leva o nome popular de barbeiro. 

Sintomas

A fase inicial do contágio, denominada de fase aguda, pode manifestar ou não sintomas. Caso apareçam, normalmente se apresentam como reações pouco específicas: inchaço no rosto e pernas, febre prolongada, dor de cabeça, fraqueza e um nódulo na região da picada. 


Maria Carolina indica que é de extrema importância procurar um médico nesse período. “Se não forem tratadas, há a possibilidade de que cerca de 30% das pessoas afetadas desenvolvam uma doença crônica, que só irá aparecer anos depois, como o coração muito distendido – uma das causas de insuficiência cardíaca.” As dificuldades de saúde oriundas da fase crônica são contínuas, como problemas digestivos, cardíacos ou cardiodigestivos.


Como identificar e tratar?

Apesar dos sintomas inespecíficos, há indícios que podem estar relacionados à doença de Chagas. Um deles é o chagoma, inflamação arredondada, vermelha e endurecida na pele que pode indicar o local da picada do barbeiro. Outro é o sinal de Romaña, edema em uma das pálpebras que pode aparecer em cerca de 10 a 20% dos casos agudos.


Fatores epidemiológicos também são levados em consideração para a avaliação do diagnóstico, como morar em regiões endêmicas ou em surto; já ter residido ou residir em locais propícios à transmissão do barbeiro, como casas de madeira ou taipa; ter contato com familiares ou amigos já diagnosticados com doença de Chagas, entre outros. 


O exame de sangue que confirma o diagnóstico pode ser realizado de graça pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente o tratamento é feito por meio de um remédio: o benznidazol, também disponível gratuitamente. O medicamento é indicado para a fase aguda da doença, enquanto a fase crônica precisa ser avaliada caso a caso, pois há riscos de complicações.


Formas de prevenção

O barbeiro pode se esconder em frestas nas paredes, atrás de móveis, em galinheiros e estábulos. Repelentes comuns, que utilizam moléculas como icaridina ou DEET (N,N-Dietil-m-toluamida), não funcionam bem contra ele. “No uso de DEET, você precisaria de uma concentração acima de 90% para poder repelir o barbeiro, o que é tóxico para o ser humano”, explica Thiago. 

Por isso, o método mais eficaz de prevenção continua sendo o combate ao inseto e o investimento em saneamento básico de qualidade. 

Se encontrar um barbeiro, não toque nele. Busque atendimento médico e procure o apoio do centro de zoonoses regional. Na cidade de São Paulo, a recomendação é ligar para o número 156. 


Reportagem: Guilherme Castro

Publicado em: 18/07/2024

Fotos: José Felipe Batista/Comunicação Butantan


PESTICIDAS E A SUA SAÚDE

  Pesticidas e sua saúde Os pesticidas podem existir na forma de sólido, líquido, pó ou spray . A forma influenciará a maneira como o pes...